Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



terça-feira, 21 de junho de 2011

Cinco Livros 5

Mais uma lista de cinco livros... Hope you enjoy it...

1. Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez
Bem vindo ao pequeno vilarejo de Macondo, situado em um lugar distante no tempo e no espaço. A história de Macondo acompanha a história familiar da estirpe dos Buendía. Entre as idas e vindas dos ciganos, entre os nascimentos, mortes e casamentos os personagens mais insólitos pulam das páginas de indecifráveis pergaminhos: o introspectivo coronel que lutou em 32 guerras, o alquimista que se dedicou à busca da pedra filosofal, a órfã que comia terra, a jovem mais linda do mundo que ascendeu aos céus em carne e espírito, personagens guiados pelos seus desejos e paixões, e que participam sem saber de um ciclo de acontecimentos inacreditáveis que conduzem a um desfecho surpreendente.
2. O castelo dos Destinos Cruzados, de Ítalo Calvino
A noite surpreende os viajantes em meio ao bosque de velhas árvores. À mesa de jantar de um castelo todos os convivas permanecem silentes. O único recurso de que se valem para contar suas histórias é o velho baralho de cartas de tarô. À medida que as cartas vão sendo viradas sobre a mesa o leitor conhece a história do cavaleiro leviano que enganou e abandonou uma jovem donzela, a do alquimista que vendeu sua alma, e outros personagens entram em cena, a cada carta virada: amazonas sedentas por justiça, bruxas perversas, reis severos... E o baralho de cartas que serve ora como diversão, ora como instrumento de adivinhação, vai delineando as mais incríveis histórias...
3. O velho e o Mar, de Ernest Hemingway
O livro de Hemingway conta a história do velho pescador Santiago, que, depois de três meses sem pescar um único peixe, acaba fisgando o maior peixe jamais visto. O leitor testemunha a luta do velho pescador contra o peixe, o mar e as forças da natureza, e o final desta história comovente é um apelo à dignidade, à perseverança e à grandeza da alma humana.
4. Manu: a menina que sabia ouvir, de Michael Ende
O autor de "História sem fim" traz, neste livro infantil recheado de fantasia e aventura, uma personagem cativante. A pequena órfã Manu vive em um velho anfiteatro em ruínas, cercada de amigos: um guia turístico que inventa histórias fabulosas sobre os lugares menos encantadores, um simpático varredor de ruas, as pobres crianças da vizinhança... Até que um dia o mundo de Manu começa a ser ameaçado por um grupo de personagens sinistros de chapéu-coco. E a menina deve lutar contra os "homens-cinzentos" para salvar a si mesma e aos seus amigos.
5. Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, de Pablo Neruda
Os vinte poemas que Neruda dedica aos amores de sua juventude são melancólicos, mas dotados de extremo romantismo e de uma beleza comovente. Para retratar as mulheres amadas o poeta se utiliza dos mais belos elementos da natureza: a luz e o calor do sol, a suavidade das águas, o voo rápido da mariposa inquieta... E através de palavras e rimas Neruda constrói uma ode ao amor romântico e erótico, que culmina com a "canção desesperada", um grito de amor pungente que brota do fundo da alma do poeta.

domingo, 5 de junho de 2011

House of the Book e a nostalgia nerd...

Meses atrás fui surpreendida por uma postagem em uma rede social. Sim, sou uma pessoa altamente conectada, vivo em redes sociais de todo tipo, e encaro muito bem o avanço das redes sociais. Pra mim é uma conseqüência do estreitamento das fronteiras e do aumento da informatização da sociedade. A Internet hoje criou quase que vida própria, e toma cada vez mais espaço na vida das pessoas (na minha, inclusive).

Pois bem, pelo Twitter recebi um link de um amigo, também estudante de arquitetura. O conteúdo? Uma das coisas mais bizarras que já vi!

Como? Explique-se, mulher!

Quem tem a minha idade (mais ou menos 20) assistiu ao seriado nipônico Power Rangers. Fala aí, você, como eu, assistia e adorava imitar as lutas, né? Pode admitir, sem medo de ser feliz. Não tenha vergonha, você não é o único. Power Rangers é um dos enlatados nipônicos mais populares de todos os tempos. A bagaça dura até hoje, com sei-lá-quantas temporadas! Mas quem é mais (coff!) das antigas lembra daquela primeira temporada... Puxa na memória, amigo: Alpha? Zórdon? Rita? Ranger Branco? Dragão Zord? Lembrou? Agora tente se lembrar do Centro de Comando dos Rangers, onde viviam Zordon (a cabeçona flutuante) e Alpha (o robô irritante que só falava “rangers!” e “ai ai ai ai ai”)... 

Pois agora, pasmem: o prédio existe mesmo!!! ORLY??? YEAH!!! O nome é House of the Book. E pra provar que não minto, cá vai uma magenzinha:

 House of the Book, Sidney Eisenshtat

Gente, olha que emoção! O prédio dos rangers é real! Sabe o que isso significa pra uma nerd saudosista como eu? #muitaemoção! Pois bem, essa descoberta fantástica me fez pensar em relações entre prédios famosos (ou não) e personagens amados entre nerds e outros espécimes. E hoje (meses depois!) o post saiu. Que tal pensar agora em outras associações entre arquitetura real e personagens de ficção?

Frank Gehry, esse incompreendido! Já escrevi sobre o moçoilo aqui uma vez. Gehry, que se tornou um ícone pop da arquitetura (inclusive contracenou com a família amarela mais famosa e politicamente incorreta do mundo) é reconhecido por produzir uma arquitetura classificada ora como "descontrutivista" ora como "pós-estruturalista", e que chama atenção pelas formas exuberantes, pelo aparente "caos" formal e pelo uso de materiais como o titânio. Com suas formas complexas, lembrando vagamente estruturas mecânicas, Gehry poderia, quem sabe, projetar alguma coisa para os Autobots...

Lou Ruvo Center, Frank Gehry
Optimus Prime, líder dos autobots. Cliente em potencial?

Depois, outro arquiteto do star system. Jean Nouvel, conhecido pelos projetos de alto nível como a sede da Instituição Mundo Árabe e a Fundação Cartier, também foi responsável pelo projeto do mais simbólico edifício contemporâneo de Barcelona, a Torre Agbar, que se destaca no skyline da cidade (dominado pelo Plan Cerdá). Agora, pensemos juntos, caros leitores: a Torre Agbar não parece o QG do mal perfeito para Lex Luthor planejar a destruição do Superman e o controle do mundo? Por quê? Sei lá! Porque é megalomaníaco? Porque tem duplo sentido? Porque parece ser um modo de compensar alguma coisa? Ou simplesmente porque cismei que Jean Nouvel parece com Lex  Luthor? 

Torre Agbar, Jean Nouvel

Jean Nouvel, arquiteto francês e ganhador do Pritzker

Lex Luthor (interpretado por Kevin Spacey), arqui-inimigo do Superman

Alguma relação? Not?

Então, amigos, é isso! (Alguém pensou que este seria um post sério? hahahahahahahaha "Tô me rino aqui!") Bem, esta postagem pode não servir pra ampliar os conhecimentos arquitetônicos de ninguém, mas saber que o Centro de Comando dos Rangers existe de verdade é o tipo de informação que faz a alegria de qualquer arquiteto nerd. Só não pense que vai encontrar o Alpha lá dentro, com aqueles bordões irritantes. Posso estar destruindo os sonhos de algum fã nostálgico daquela temporada primeva de Power Rangers, mas me sinto obrigada a contar: o Alpha era um anão vestido de robô...

*Este post foi mais uma inutilidade pública da Ayesha Luciano (que no caso sou eu mesma! :P)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Boas Vindas!!!

Olá, Boa noite a todos!!!

Gostaria de me apresentar como nova integrante do Blog Espaço Imaginário! Estou muito feliz com esta nova aquisição do blog!! Heuheuehuehue... e espero que todos fiquem também!

Como primeira postagem aqui, eu quero começar com duas imagens que eu acho muito significativas sobre a palavra imaginário. É uma fábrica que funciona 24 horas sem parar dentro de cada um de nós, em que são produzidas as matérias-primas para formarmos o mundo e aquilo que somos.

As imagens são de um artista belga chamado Ben Heine. Ele é pintor, ilustrador, fotografo e faz caricaturas. Estudou artes gráficas, escultura e ainda possui um diploma em jornalismo. Seus muitos anos de exploração gráfica, experiência artística e uma visão particular do mundo resulta em uma produção e um estilo singular para a produção de obras primas.

Acho que estas fotos caracterizam bem o processo imaginativo das pessoas. Pensamos coisas infinitas, vemos coisas infinitas e sentimos coisas infinitas que se traduzem como indescritíveis ou inexplicáveis. Assim também como é o direito de achar de cada um, de analisar e de ver as verdades e fazer delas fatos históricos.

Shakespeare já dizia que: "Somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos." Isso provém de tudo que nossa capacidade criativa pode fazer; e se tratando de espaço imaginário, o espaço se resume na imensidão na qual somos inseridos que são: o universo e nossas super-mentes!! (Este termo super-mente, está relacionado com a minha empolgação com a nova animação da DreamWorks (Mega-mente), que sou muito fã :D)!!

Eu iria deixar aqui uma amostra da minha interpretação das figuras, mas prefiro deixar com que cada um as interprete de um modo que o faça refletir do que a imaginação é capaz, dentro de seu espaço e naquele comum a todos.

Pense, logo exista e faça a diferença!! Aliás. o mundo se analisado a fundo, não passa de um grande Espaço Imaginário!!!

Mari Costa.








quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As Cidades Possíveis 2: Alethea

Algumas cidades vivem de seu passado memorável. Ostentam palácios de mármore, teatros de metal e vidro, aquedutos, museus, como se fossem as fotos em preto e branco de um álbum de família, pérolas de um tempo pretérito cheio de louros e grandeza e opulência...

Assim também é Alethea... A cidade viveu um passado rico, quando era então a grande metrópole para onde convergiam os olhares e atenções. A Alethea de então pululava de fábricas, de riqueza e progresso: pessoas passavam de um lado a outro, e mercadorias circulavam, e tudo parecia brilhar com o ouro que brotava, e as damas usavam vestidos de seda riquíssima e os cavalheiros cumprimentavam tirando o chapéu.

Mas esse tempo se foi, e os palácios, teatros, aquedutos e museus, restos de pedra e mármore de um tempo de grandeza, jazem esquecidos: as fábricas foram embora, a cidade que antes era farol hoje vive se amargurando, quando se compara às metrópoles, pobres à sua época de ouro, e que hoje crescem e se inflam e ocupam os espaços vazios... E considerando-se a cidade mais feia, mais suja, mais pobre, mais violenta, presa a esses rótulos, e assombrada pelos feitos de um passado distante, Alethea impede a si mesma de florescer, e se obriga a ser sempre mais no menos.

Longe de seu passado glorioso, a cidade aparece aos olhos de seus habitantes como um receptáculo de tudo o que é ruim, pequeno, feio, medíocre, ou menos, e menos ainda. E enquanto olham para trás e contemplam as glórias perdidas, e olham para longe e contemplam as cidades que espelham o que Alethea poderia ter sido (e não foi), seus habitantes não se dão conta da cidade em que vivem, e não são capazes de enxergar as ruas cinzentas por onde caminham, as torres que se erguem contra o perfil montanhoso, as galerias que cortam sua compacidade de concreto e aço, as antenas dos pára-raios que irrompem dos altos edifícios, as multidões que se abrigam da chuva nos pontos de ônibus, como formigas. Presos ao passado, não se dão conta de que a cidade cresce no presente, ainda que amorfa e desordenadamente, mas cresce, e se concretiza, e quem sabe quando atingirá o céu?

Embora Alethea pareça, à primeira vista, apenas uma coleção de fragmentos de memória, cacos dourados de um passado opulento misturados a peças de latão, cascas de frutas, latas de lixo, folhas secas, de fato a cidade possui dentro de si um vir-a-ser. No entanto, não sabem os seus habitantes que a Alethea futura, esta que aguarda o momento propício para despontar, não é espelho de seu passado ilustre. A Alethea vindoura não guarda semelhança alguma com os fragmentos esparsos de seu ontem, mas brilha de nova acumulando torres compactas de concreto e vidro, galerias, antenas de pára-raios, e ruas cinzentas. Este é o gérmen de uma cidade magnífica, encasulado na cidade dourada, translúcida e sem espessura, que aguarda o momento de sua libertação...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

As Cidades Possíveis 1: Lira

Caminhando-se por vários dias em direção ao sul, atravessa-se cadeias de montanhas e lagos congelados. Finalmente o viajante atinge Lira, cidade cinza de concreto e pedra. Não que existam muitos atrativos em Lira que compensem a difícil travessia. Na verdade, a cidade é feia e apagada, não possuindo qualquer tipo de beleza ou particularidade que a torne memorável: a praça é um amontoado de bancos de concreto cinza, árvores esparsas, lampiões cobertos de ferrugem... A igreja, com a pintura descascada, é idêntica a milhares de outras igrejas, comum e simplória, como tudo na cidade. Os subúrbios são os mesmos, e os rostos e sotaques idênticos a uma série de rostos e sotaques que se encontra em dezenas de outras cidades. Não, Lira não possui nenhum tipo de singularidade que a qualifique como magnífica. A população, empenhada em acumular dinheiro, trabalha durante todo o dia, até mesmo nos feriados. Não existem dias de descanso, ou dias de lazer, não existem datas comemorativas. Das janelas dos escritórios ouve-se o barulho repetido dos dedos metralhando máquinas de escrever e computadores, e dos telefones tocando... Das janelas das casas, à noite, pode-se ver a luz azulada que vêm do televisor, onde os mesmos programas se repetem dia após dia. Em Lira parece existir uma onda de avareza e egoísmo, de mau-humor e tédio, de ódio e asco, e todos os dias milhares de sonâmbulos percorrem as ruas cinzentas de Lira, da casa para o trabalho, e do trabalho para casa, e da casa para o trabalho de novo, e de novo, e de novo... A cidade parece envolvida por uma constante letargia: em Lira nada cresce, nada brilha, nada germina, é sempre concreto contra concreto, cinza contra cinza...

A razão de descrevê-la é que, mesmo em meio à desinteressante profusão de muros e praças e ruas e casas, às vezes algo de inconfundivelmente lindo e singular parece brotar, em meio à feiúra sempre-cinza de Lira, como uma flor tardia, tímida e pequena, até mesmo pálida, mas ainda assim... É apenas uma sensação, um pressentimento, de que em meio ao cinza dos muros, em meio ao egoísmo e ao mau-humor das pessoas que passam, caras fechadas, fechados em seus sobretudos escuros, existe uma outra Lira, magnífica e dourada, resplandecente, receptáculo de todas as coisas boas, das virtudes mais elevadas, dos sentimentos mais puros... É um sentimento estranho e inexplicavelmente bom, que nasce no fundo do peito quando se vê, em meio à amplitude de torres ameaçadoras de concreto e vidro, um pássaro azul voando livre contra o céu cinzento, ou um resiliente raio de sol furando a espessa camada de fumaça que envolve a atmosfera, ou um cão feliz roendo um pedaço de pão encontrado no lixo, ou ainda quando se vê um grito de liberdade e revolução escrito em vermelho nos muros de pedra.

Por isso, quando ouvir notícias de Lira, lembre-se, desavisado viajante, não da cidade feia e comum, de pedra, concreto, cinza e tédio, mas da Lira de flores, pássaros, raios de sol e gritos de liberdade. Quando pensar em Lira, não pense na cidade real, que se espalha sobre o solo arenoso, mas na cidade possível, uma flor pálida que brota no fundo da mente humana, mas cresce e cresce e cresce, e se expande, e se dilata...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

As Cidades e os Sonhos 2: Veneza

Sonho com muitas cidades. Cidades grandes e pequenas, reais e imaginárias, cidades belas e feias, cidades de pedra ou cidades leves, de “espessura opaca e fictícia”. As cidades com que sonho fazem-se a si mesmas, reúnem-se em um colar como contas de âmbar, cidades inumeráveis, cada qual com sua particularidade. Entretanto, de todas as cidades sonhadas, belas ou feias, brilhantes ou caóticas, ilustres ou desconhecidas, nenhuma jamais conseguiu me encantar tanto quanto uma pequena cidade aquática chamada Veneza. Os canais de Veneza canalizam meus desejos e fantasias, atraem meus olhares, prendem minha atenção, tiram-me o fôlego, e por mais que eu tente é impossível escapar desse encanto... Por mais que meus desejos me levem a outras cidades, por mais que sonhe com a delirante Nova York, com a imperiosa Roma, com a velha Londres, com a sedutora Paris, quando estou feliz e desatento, quando respiro a brisa do começo de primavera e o ar traz o aroma de frutas maduras, quando fecho os olhos em meio ao barulho, à fumaça, à fuligem e à feiúra, e por um momento estou em paz, sinto-me imediatamente em Veneza, caminhando pelas pedras lodosas de Veneza, ou deslizando de gôndola pelos canais de Veneza, ou observando os canais debruçado sobre os balcões dos palácios de Veneza, e não importa onde eu realmente esteja, não importam o barulho, a fumaça, a fuligem, a feiúra, os assaltos, as fofocas, não me importa nada, porque naquele momento, olhos fechados e coração em calma, estou em Veneza, e tudo o que vejo, ouço, sinto e respiro é Veneza...

Do lado de fora das minhas pálpebras ainda existem o barulho, a fuligem, e a feiúra, mas com os olhos fechados, nada parece mais real do que residir no encanto de Veneza. Por mais estranho e impossível que pareça, espero ainda pelo dia em que se produzirá o fenômeno inverso. Por isso, continuo a fechar minhas pálpebras em meio à fuligem e à feiúra, em meio ao barulho e à náusea, aguardando sempre pelo dia em que, ao abrir os olhos, a realidade me trará Veneza.