Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A culpa é dos livros!

Todas as vezes que eu fico sonhando acordada, imaginando e vivendo aventuras, a culpa é dos livros, tenho certeza. Primeiro, foi aquela tal Sherazhade, que me convidou para passar 1001 noites na Arábia. Eu pensei "por que não?" Afinal, eu já tinha passado a maior parte do tempo com os irmãos Grimm, e com Hans Christian Andersen, vivendo histórias de fadas, então, que mal havia em mudar de ares, e trocar maçãs envenenadas por sementes de sésamo? Foi aí que começou o problema, eu acho. Depois disso, não havia convite que me fizessem que eu não aceitava de bom grado. Por exemplo, quando um tal Mark Twain me apresentou a Tom Sawyer e Huck Finn, lá estava eu, sonhando em fazer parte do bando! E que tal depois, quando me convidaram para uma viagem a bordo de um navio pirata? Io-ho, por que não? Tempos depois eu estava caçando tesouros com Jim Hawkings na Ilha do Esqueleto. Tomei gosto pela vida no mar, e fui com Lemuel Gulliver a Liliput, a Broabdignag e outras terras ainda mais insólitas... Ainda embalada pelo espírito marinheiro eu viajei sob o comando de Um Capitão de Quinze Anos, atravessei Vinte Mil Léguas Submarinas com o Capitão Nemo, e depois, cacei o demônio branco Moby Dick com Ismael e o capitão Ahab. Já enjoada do mar voltei à terra, e resolvi explorar a África. Alan Quartermain foi meu guia na busca pelas Minas do Rei Salomão, e depois, no coração da cidade de Kor eu conheci os Ammahagger e sua imperiosa rainha, minha xará Ayesha. Cheia da África, resolvi passar uma temporada selvagem na Índia, com os lobos, mas tive que fugir correndo por causa de Shere Khan. Foi por pouco! Era tempo de tornar à civilização, e resolvi passar um tempo no Morro dos Ventos Uivantes, onde conheci Heathcliff, por quem me apaixonei. Mas o coração de Heathcliff já pertencia à Catherine. Ademais, não dá muito certo namorar homens feitos de papel e tinta. Resolvi curar minhas mágoas em Portugal, mas eis que conheço o Amor de Perdição de Simão e Tereza. Arrasada com o fim triste da história, voltei ao Brasil, mas por aqui também andavam Peri e Cecília, Lúcia e Paulo... as histórias terminavam sempre de um jeito tão trágico que eu desisti de vez dos romances! Voltei às aventuras, e desta vez acompanhei Os Três Mosqueteiros, ou melhor, os quatro, e depois o Homem da Máscara de Ferro. Depois, foi a minha vez de ajudar na vingança do Conde de Monte Cristo, e na vendetta dos Irmãos Corsos. De volta aos ares de Paris, conheci o Corcunda de Notre Damme, e a cigana Esmeralda, e depois mendiguei na sarjeta com Jean Valjean e um bando de Miseráveis. Era tempo de voltar ao Brasil: eis que encontro Bento Santiago e sua amada Capitu dos olhos de Ressaca. A história não terminou bem, apesar dos meus esforços de convencer Dom Casmurro de que Capitu era inocente... (Será?) Daí eu tive vontade de viver aventuras épicas, e por isso fui à Terra Média e entrei para A Sociedade do Anel. A batalha contra Mordor foi difícil, mas não curou minha sede de aventuras. Voltei à Inglaterra, para ajudar Ivanhoe a recuperar sua honra. De passagem, conheci Os Cavaleiros da Távola Redonda! Ora bolas! Era tempo de conhecer novas aventuras, então caí numa toca de coelho e viajei Através do Espelho até o País das Maravilhas com Alice. Foi só voltar e lá estava eu, abrindo a porta de um guarda-roupas mágico e conhecendo Nárnia. Depois da queda de Jadis eu voltei ao... Saara? Minha nossa! Olha ali o Pequeno Príncipe, vindo do espaço, que ama uma rosa, e tem uma amiga raposa... "Chega!", eu disse, "chega de aventuras". Mas, mal eu disse isso e um tal Neil Gaiman jogava poeira do sonho nos meus olhos e me levava a conhecer portas secretas, mundos alternativos, seres perpétuos, deuses velhos e novos, estrelas caídas... E ainda me vem um tal Isaac Asimov e me mostra o futuro! Ora essa! Escritores são pessoas das mais malucas! Onde já se viu, mundos secretos, viagens extraordinárias, romances impossíveis... Escritores definitivamente são malucos, e se eu ficar maluca também, a culpa é deles, e de seus livros, com certeza. Se acontecer, juro que faço que nem Dom Quixote: visto minha armadura de Sonho, empunho minha lança de Fé, monto o Roncinante-Pensamento e vou me bater com os moinhos de vento da Realidade... Ah, se vou!

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