Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sobre a arquitetura do imaginário...

Esse final de semana eu assisti (de novo) ao Resident Evil Degeneration. Se você é um nerd gamemaníaco como eu, você certamente sabe do que se trata. Se não, eu explico: Resident Evil é uma série de jogos de ação e terror mundialmente famosa com um enredo bem simples: um grupo de pessoas (normalmente policiais) fugindo de hordas de zumbis canibais infectados por um vírus criado por uma empresa-farmacêutica-capitalista-malvada. Desde o lançamento do primeiro jogo, nos anos 90, RE cresceu de uma forma surpreendente e conseguiu uma longevidade considerável (lá se vão mais de 10 anos desde o lançamento do primeiro Resident. Numa indústria onde novos títulos são lançados e descartados a cada minuto, manter uma série por tanto tempo é um mérito reservado à grandes franquias, como Tomb Raider, Mortal Kombat, Street Fighter, Final Fantasy entre outros, que inclusive fazem parte da mesma leva). Depois de ver as sofríveis adaptações cinematográficas estreladas pela Mila Jojovitch (sim, eu assisti aos 3 filmes! O que estava pensando? Afinal, se o primeiro já foi suficientemente ruim, o que esperar das sequências?), me deu até um frio na barriga quando eu soube que estavam pra lançar outro filme. Por isso, Degeneration, de certo modo, foi um alívio... Afinal o filme segue de modo bem fiel a cronologia dos jogos, e traz de volta dois personagens conhecidos e admirados pelo público. Claro, o filme tem lá seus poréns... a adição de personagens desnecessários parece ser uma mania em adaptações cinematográficas, a história é um pouco fraca em comparação ao enredo dos jogos e alguns dos diálogos soam forçados demais. Mas, vá lá... o filme fez juz ao que se esperava de um Resident Evil... Especialmente na parte gráfica. Vendo RE Degeneration é difícil não se surpreender com a evolução da computação gráfica... Os personagens, as texturas, os movimentos, enfim, tudo parece bem natural. Comparando os gráficos desse filme (e os episódios recentes do jogo, como RE 4, RE 5 e Dark Side Chronicles) com os bonequinhos quadrados do primeiro jogo é difícil não ficar imaginando onde essa evolução vai parar... se é que vai parar algum dia. O que leva ao assunto que interessa nesse post inteiro: a evolução da arquitetura dos videogames ou, como eu disse no título, a arquitetura do imaginário.

Claire é uma das protagonistas de RE Degeneration


Se antes os cenários eram meros coadjuvantes, hoje eles são quase protagonistas... o cenário, em alguns jogos, pode atrapalhar os objetivos do personagem, ou se tornar uma grande vantagem, como em Shadow of Colossus, em que o jogador deve utilizar o ambiente natural para vencer seus adversários. Em outros jogos o cenário pode se tornar o desafio: em Ico, da mesma produtora de Shadow of Colossus, o objetivo do jogador é simplesmente escapar de uma fortaleza labiríntica (ao mesmo tempo em que luta contra os monstros e salva a mocinha). Isso sem falar na liberdade exploratória quase total de jogos como o GTA, e na pesquisa histórica (arquitetônica e urbanística) que levou à construção de uma cidade árabe medieval em Assassin's Creed. E olhe que eu deixei de fora da lista um monte de jogos com cenários igualmente incríveis, como Half Life, a série Tomb Raider, Mass Effect, Rainbow Six entre outros...

Em Shadow of Colossus o jogador usa o cenário para derrotar gigantes feiosos
Essa é uma das imagens promocionais de ICO: o cenário é um puzzle gigantesco...

Arquitetura é construção. Definitivamente. Porém é impossível não ficar maravilhado diante da evolução cada vez maior da arquitetura no mundo digital. E se alguém tem alguma dúvida, vale a pena assistir RE Degeneration só pra ver os cenários principais da história: o aeroporto e o laboratório da empresa farmacêutica-capitalista-malvada...

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