Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O edifício da discórdia

Sabe aquela sensação de que determinado assunto está te perseguindo? Pois é! Essa semana eu li as últimas edições da aU e Projeto, e me deparei com a sinopse do livro "Condomínio Absoluto", de Carlos Teixeira, que trata da polêmica megatorre que quase foi construída em Sampa. Depois, dei uma passadinha no Lugar Invisível só pra ver que o professor Alvaro Giannini também tinha comentado o assunto. E por fim no Blog do Vazio, onde além de divulgar seu trabalho Carlos Teixeira postou o link para uma reportagem do Estado de São Paulo em que Bosco Brasil (autor da novela das sete da "rede grobo") afirma que a idéia da trama nasceu do projeto da torre de Maharishi Yogi... Enfim, graças a toda essa campanha involuntária hoje eu resolvi escrever sobre o assunto... Confesso que ainda não li o livro (snif!). Mas a lembrança do polêmico projeto da torre me fez repensar minha opinião a respeito.

Deixa eu explicar: na época em que o projeto foi idealizado e divulgado eu fiquei sabendo da existência do mesmo através da revista SUPERINTERESSANTE (Tudo bem, não foi uma revista de arquitetura. Mas naquela época eu jurava que ia ser bióloga marinha!), e confesso que, quando li a reportagem, o empreendimento me chamou a atenção... Afinal, quem não iria querer morar em um prédio auto-suficiente? Na época (eu devia ter, o que, uns 13 anos?) eu não compreendia a questão urbana suficientemente bem para assimilar o impacto que aquela torre gigantesca teria em São Paulo. E não falo apenas em termos de paisagem urbana, mas também em termos de sociedade: afinal, já vivemos em uma época que tende para a degeneração das relações pessoais, uma época em que cada vez mais as pessoas tendem a se fechar em suas casas e apartamentos, deixando a cidade como mera coadjuvante e não como palco da vida humana. A que extremo essa torre levaria? Será que a construção da megatorre acabaria dissociando seus moradores da cidade? Claro, todas essas questões só me ocorrem agora, fazendo um retrospecto. Na época eu ficava deslumbrada pela possibilidade de se construir uma "cidade vertical", e, como boa leiga que era, estava extremamente otimista quanto ao sucesso da torre. Ingenuamente, com certeza...

E hoje? Sinceramente, não tenho uma resposta pronta, apenas especulações e reflexões. Ainda existe uma espécie de corrida frenética nos países desenvolvidos ou emergentes para a construção do novo "maior prédio do mundo" (como, por exemplo, as megatorres projetadas ou já construídas na Ásia), mas hoje minha atitude é menos ingênua e mais crítica. Ainda acho as novas megatorres são um sinal dos tempos: a cidade vai acabar tendo que conviver, sim, com esses novos edifícios. Mas é fundamental que a relação que se estabeleça entre a "cidade horizontal" e as novas "cidades verticais" seja de convivência harmônica e não um duelo de titãs!

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