Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



domingo, 22 de março de 2009

Ainda "O Futuro do Brasil"

Já faz alguns dias estava indo de carro com meu pai para a Ponte Preta, uma área rural em Santos Dumont, quando uma placa me chamou a atenção: “Forró de grassa”, escrito com carvão em um pedaço de papelão. Isso mesmo, amigos "Forró de 'grassa'". É claro que, na hora, eu morri de rir, e, quando voltamos no outro dia, tiramos uma foto do crime gramatical (que eu postarei assim que eu achar a bendita aqui no computador. Por enquanto, confiem na minha palavra). Nos dias seguintes eu recebi, por e-mail, o texto que eu postei aqui com as pérolas do ENEM 2008, e a imagenzinha dos “apóstrofos”. Mas esse assunto continuou me incomodando: será possível que a educação no Brasil esteja mesmo tão capenga?
E só olhar para os dados mais recentes sobre a educação no Brasil para perceber que a situação não é das melhores, embora já tenha acontecido um avanço significativo. A taxa de analfabetismo na faixa etária de 15 anos ou mais em 1970 era de 33,60%; em 1980 caiu para 25,50%, e em 2000 caiu para 13,60%. Mas esse índice ainda é preocupante, pois representa uma parcela da população que encontrará dificuldades sérias para se inserir no mercado de trabalho. Isso sem falar no analfabetismo funcional e nos índices de evasão escolar que, embora tenham diminuído, ainda são alarmantes.
Claro, a educação pública deficitária é um dos aspectos que contribui para essa situação, mas não o único. As dificuldades que as crianças enfrentam para se manterem na escola são muitas, e derivam principalmente da situação sócio-econômica desfavorável. Não raro vemos crianças e adolescentes desistirem dos estudos para começarem a trabalhar, com o objetivo de ajudar no orçamento familiar. Admito, sim, que o poder público também tem sua parcela de culpa, por não investir (ou investir pouco) em políticas públicas de apoio à educação básica e profissionalizante. Mas a sociedade também tem sua parcela de culpa, por colocar no governo os maus políticos, e por não exigir dos governantes o atendimento aos direitos fundamentais do cidadão.
Meu pai, por exemplo, não teve oportunidade de ter uma educação formal completa: nascido em uma família muito pobre, ele abandonou a escola na adolescência para trabalhar. Mas isso nunca o impediu de tentar aprimorar sua cultura por outros meios, lendo sobre os assuntos que lhe interessavam, por exemplo, e acompanhando de perto a política e economia, não só no Brasil, mas também no restante do mundo. O problema é que existem poucas pessoas com esse tipo de iniciativa. A vasta maioria prefere se acomodar em uma situação desconfortável, se alhear da política, e amparar-se em desculpas de falta de oportunidade, se eximindo de sua responsabilidade. Que faltaram oportunidades na infância e na adolescência, vá lá, mas se esconder para sempre nesse tipo de desculpa, mesmo quando há novas oportunidades surgindo (alguém aí citou o programa Brasil Alfabetizado?) me parece escapismo.
Somado a isso ainda há outro problema, e isso eu posso dizer observando o caso do meu irmão mais novo, de 11 anos: ele tinha uns 3 anos quando ganhou o primeiro videogame, e sempre conviveu com computadores (enquanto eu só tive contato com um computador aos 8 anos de idade, e com a internet aos 12!). Claro que ele é muito bom em jogos eletrônicos! Mas, em compensação, até os 9 anos de idade, mais ou menos, ele nunca tinha lido um livro inteiro (aqueles livrinhos de pré-escolar não contam!), enquanto eu, na mesma idade, já tinha lido vários livros! Para remediar a situação minha mãe decretou que, todos os dias, ele só poderia ligar o videogame se, por uma hora, ele parasse para ler um livro. O que começou como uma exigência para que ele sustentasse seu “vício virtual” hoje é um hábito saudabilíssimo: meu irmão de 11 anos lê, por ano, mais livros do que a média dos adultos no Brasil!! É fato que a leitura vem perdendo terreno para a televisão, os videogames e a internet, que, visualmente, são muito mais atrativos. Mas o que se perde com isso reflete-se nas redações do ENEM e dos vestibulares de todos os anos: milhares, se não milhões, de adolescente saem da escola sem a menor capacidade de redigir um simples texto dissertativo! Pior, muitos saem da faculdade sem essa mesmíssima capacidade!
A situação da educação no Brasil tem melhorado bastante, mas ainda deixa muito a desejar. Eu, pessoalmente, acredito que não existe futuro fora da educação: enquanto o problema da educação não for resolvido, acho muito difícil que outros problemas, como a violência urbana, a gravidez na adolescência, e a miséria sejam resolvidos. Exigir do poder público políticas eficientes para a educação pode ser uma boa iniciativa. Afinal de contas, a idéia de que o analfabetismo será parte do futuro do Brasil não tem a menor “grassa”.

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