Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Novo MASP

Faz tempo que você não vai ao MASP? Ou você nunca foi? O segundo andar, onde localzia-se o acervo do museu, ficou fechado por dois meses e reabriu em outubro de 2007 com uma nova concepção de exposição. Agora o acervo do MASP não está mais organizado por períodos e regiões geopolíticas, mas sim por temas. Se você quiser saber o que o aguarda na sua próxima visita ao MASP, aqui vão os resumos das exposições. São quatro exposições temáticas: A arte do mito, A natureza das coisas, Olhar e ser visto, e Virtude e Aparência (a caminho do moderno).
ARTE DO MITO
Mito, arte, realidade

"O mito é o nada que é tudo, diz um verso de Fernando Pessoa em Mensagem. O homem é um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. E o mito é uma das primeiras histórias, das primeiras formas do sentido, que o homem se deu. Jacob Bryant, citado por Edgar A. Poe no famoso conto sobre a carta roubada, escreveu que nos esquecemos de que não acreditamos nas fábulas e continuamos agindo a partir delas como se fossem realidades existentes.
O mito começou a entrar para a realidade primeiro na literatura oral e, depois, por aquilo que se chama arte. Toda a primeira grande arte da humanidade, a chamada arte clássica, depende do mito que, assim, se na arte não é tudo, por certo é muita coisa. E é um gênero que, com a paisagem, a natureza morta e o retrato, orienta a nova exposição permanente do MASP. Um gênero feito de obras na aparência fáceis de entender. Tudo nelas parece familiar. Mas, o que mesmo diz O julgamento de Paris ou o Himeneo de Poussin?
Esta mostra propõe uma reapropriação sensível destas fábulas que continuamos a tratar como realidades. A coleção do MASP é rica neste gênero e iniciar por ele a comemoração de seus 60 anos era uma evidência, em dupla homenagem à arte e àquilo que, diz Pessoa, "sem existir nos bastou / por não ter vindo foi vindo / e nos criou": o mito, essa carta roubada (que nos roubamos) e que no entanto segue à vista - bem oculta."

Teixeira Coelho
Curador-coordenador, MASP

"Por que o mito? Porque o acervo do Masp possui um núcleo de obras com temas mitológicos extraordinário, num conjunto que merece ser revelado e explorado. E porque apresentar obras de técnicas e períodos diferentes com temas afins é uma das formas melhores para se evidenciar estilos individuais, visões originais - condição da existência da própria arte - e especificidades culturais de cada época; para se perceber contrastes e idéias partilhados ao longo dos séculos; para se descobrir que um nu de Manet ou Renoir pode ter mais pontos em comum com a antiguidade do que o simples "clichê" de pintores revolucionários a eles atribuído deixa suspeitar. Uma exposição sobre o mito permite, também, um retorno à nascente da cultura ocidental através das fontes literárias, que ajudam a decifrar as narrativas.
O mito é, portanto, o fio condutor desta exposição, com o seu emaranhado de lendas e símbolos, mas não seu protagonista absoluto. Ao longo dele desenvolvem-se as várias técnicas e linguagens da arte, da musicalidade e ordem em Saraceni e Poussin à atmosfera densa de Delacroix. Apesar de os temas narrativos serem objeto de atenção no material informativo à disposição do público, convém lembrar que o tema por si só não é arte. A arte está no olhar que o artista empresta ao tema. Este é, porém, um passaporte para se entrar na obra, um enigma diante do qual não queremos que o visitante, como os tebanos diante da Esfinge, sucumba."

Roberto Carvalho de Magalhães
Curador
arte do mito - em exposição desde 3 de outubro de 2007
OLHAR E SER VISTO
"Olhar e ser visto, que estará aberta ao público em 10 de outubro, celebra a arte do retrato e do auto-retrato do século 16 aos nossos dias. São telas, fotografias, esculturas, desenhos e gravuras, tornando possível perceber as diversas transformações na representação pelas quais a efígie passou ao longo dos anos.
A exposição foi organizada em cinco blocos: O retrato da pompa, O recurso à cena, Eu mesmo, Retratos modernos e A desconstrução, que conduzem o espectador no mundo dos retratos, acompanhando as diversas transformações por que passou o modo de registrar as pessoas na arte. No caminho proposto pelo curador do MASP, Teixeira Coelho, as primeiras obras mostram retratados de corpo inteiro, altivos e imponentes. Mais para o final o que aparece dos modelos é quase nada e em alguns casos as imagens mal permitem a identificação do retratado.
Maior das quatro mostras temáticas do acervo com 95 obras, Olhar e ser visto soma-se a A arte do mito, com 46 obras, aberta em 2 de outubro passado; A natureza das coisas, com 69 obras, aberta em 23 de abril e Virtude e aparência (A caminho do moderno), com 38 obras, aberta em 18 de julho, totalizando as 248 obras, que podem a partir de outubro ser vistas em conjunto e ficam por tempo indeterminado em cartaz.
Entre os inúmeros destaques da nova mostra temos O artista (1875), de Manet; Paul Alexis lê o manuscrito a Zola (1869-70) de Cézanne; Rosa e azul - As meninas de Cahen d´Anvers (1881) de Renoir; Auto-retrato com barba nascente (1635) de Rembrandt; Auto-retrato (Perto de Gólgota) (1896) de Paul Gauguin; Renée (1917) de Modigliani; Retrato de Suzanne Bloch (1904) de Picasso; Greta Garbo (1937) escultura em gesso de Ernesto de Fiori."
texto extraído do site oficial do MASP:http://masp.uol.com.br/exposicoes/2008/olhareservisto
olhar e ser visto - em exposição desde 10 de outubro de 2007
A NATUREZA DAS COISAS

"Uma cadeira é uma coisa. E uma pedra, uma nuvem, uma folha. O mundo todo é uma coisa, escreveu Kant. Tudo que existe é uma coisa. Tudo menos, para alguma filosofia e em muita pintura, a figura humana, uma interrupção nesse largo contínuo que é o mundo das coisas.
Mas em pintura há um gênero em que coisas e homens se tornam uma unidade: a paisagem. A partir do século 18, a nascente ciência moderna era uma disciplina que dividia a natureza em suas partes para analisá-las. Ao lado, a pintura (e a pintura de paisagens) já era uma atividade de síntese propondo a unidade entre as emoções (a estética), os atos (a moral) e o conhecimento (a lógica). A unificação de todas as coisas.
Tem sido assim desde a renascença. Essas pinturas de paisagens contavam uma história importante que as pessoas conheciam. Uma história de conteúdos morais: o carvalho representava a coragem; os álamos, a dor; a salamandra, o mal. (no século 21 não sabemos mais ler essas coisas: cultura e natureza se divorciaram.)
Nesta mostra, porém, não há só paisagens. Nem somente paisagens da natureza identificada com o campo. Há marinhas, naturezas-mortas e as paisagens culturais que são as paisagens urbanas. É a natureza dessas coisas que esta mostra busca revelar. Hoje, é fato, o mistério das coisas se esvaiu, acompanhando o desencantamento do mundo. Se há uma imagem exata de como se sente o homem contemporâneo diante das coisas (e das "velhas" pinturas de paisagem) são estas palavras de Fernando Pessoa: "o único sentido oculto das cousas/é elas não terem sentido oculto nenhum [...] as cousas não têm significação, têm existência. /as cousas são o único sentido oculto das cousas".
E o poeta continua para dizer que "não basta abrir a janela /para ver os campos e o rio./não é bastante não ser cego/para ver as árvores e as flores./é preciso também não ter filosofia nenhuma." o poeta resume assim, sem dizê-lo, a história da arte da pintura de paisagem, uma história da passagem da arte com filosofia para a arte sem filosofia. Esta exposição, a segunda de quatro mostrando a coleção do MASP sob novo ângulo é ocasião para reaprender a ver este gênero central da arte ocidental e desaprender outras tantas coisas.
"

Teixeira Coelho
curador do MASP
a natureza das coisas - em exposição desde 24 de Abril de 2008
VIRTUDE E APARÊNCIA (A caminho do moderno)

"Nesta exposição, estão presentes duas linhas de força da história da arte ocidental. A primeira se traduz na idéia de que, ao olhar-se para uma obra, era preciso ver além do que estava nela representado. Como John Ruskin insistia no século XIX, entregar-se à imitação, insistir no valor da arte por sua capacidade de reproduzir as coisas tais quais era pouco e vulgar; os prazeres desse olhar primário estavam entre os mais desprezíveis. Na arte de tema religioso, essa linha está presente: a beleza de uma madona não reside tanto (ou nada) no que se vê na tela, mas num outro plano, além ou superior, acessível apenas ao intelecto. A virtude da obra estava em grande parte fora dela, talvez acima dela. Há virtudes visíveis, sem dúvida, como a perícia do artista. Mas a principal delas ficava além do visível. São exemplos dessa linha obras do século XIII como a Madonna, do Maestro Del Bigallo, além das de Rafael, Bellini e Botticelli.
Ao lado dessa arte, porém, para atender a outras necessidades da aristocracia e da burguesia nascente num mundo em transformação, surge no século XVI uma outra voltada para as aparências em todos visíveis. Entre essas, a nascente arte da paisagem e do retrato. Virtudes imateriais ainda existem, mas as aparências da tela começam a predominar e são, mesmo, essenciais. Tudo está à superfície das coisas e o prazer consiste em vê-las, a exemplo do que se vê nas telas de Metsys, Boucher e Fragonard representando cenas do dia a dia ou aquelas cuja beleza maior está no equilíbrio entre as cores da pele e dos tecidos das personagens.
Este jogo entre o visível e o invisível, entre conteúdo conceitual e uma superfície que logo se entrega ao olhar está na base da arte ocidental. Apresentam-se, nesta mostra, obras do momento em que essa separação e esse conflito instalam-se na arte ocidental e dos instantes logo posteriores, quando as aparências se afirmam e se caminha para o moderno."
Teixeira Coelho
curador do MASP
virtude e aparência - em exposição desde 18 de Julho de 2008
BOA VISITA!!!

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