Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Micro Urbanismo e PA

Parece que as coisas estão ficando interessantes este período... Primeiro, o terreno escolhido para nosso projeto desse período (Habitação de interesse social) fica em um lugar precário, que necessita uma intervenção no entorno do córrego do Yung e relocação da população que ocupa as margens do córrego. Depois, a nossa pequena intervenção urbana mudou de endereço: em vez de trabalhar uma praça urbana na área central vamos realizar uma intervenção em um bairro na periferia da cidade, requalificando a área de ligação entre duas ruas situadas em cotas diferentes. São dois escadões localizados em uma área conhecida popularmente como Rip Rap, um conhecido ponto de tráfico no bairro. Os desafios são grandes, mas a resposta pode ser mais interessante ainda... Aguardem, vocês vão ouvir falar disso ainda...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Releituras arquitetônicas...

Dr. Evil (Austin Powers) e Jean Nouvel


Jane Jacobs e Squirt (Procurando Nemo)
Coincidências, coincidências...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Final de PA: Graças a Deus!!!!! (ou não??)

Postando aqui só pra comunicar que eu continuo vivinha da silva, pelo menos por enquanto. É que agora estamos no finzinho do período, vésperas de entrega do famigerado PA, e quem já fez arquitetura sabe o que isso significa... Bom, só pra constar, o projeto desse período (que é torre comercial) tá indo, de vento em popa e em vias de ser entregue na quinta-feira. Então, assim que acabar o PA eu juro que volto a postar!

domingo, 22 de março de 2009

Ainda "O Futuro do Brasil"

Já faz alguns dias estava indo de carro com meu pai para a Ponte Preta, uma área rural em Santos Dumont, quando uma placa me chamou a atenção: “Forró de grassa”, escrito com carvão em um pedaço de papelão. Isso mesmo, amigos "Forró de 'grassa'". É claro que, na hora, eu morri de rir, e, quando voltamos no outro dia, tiramos uma foto do crime gramatical (que eu postarei assim que eu achar a bendita aqui no computador. Por enquanto, confiem na minha palavra). Nos dias seguintes eu recebi, por e-mail, o texto que eu postei aqui com as pérolas do ENEM 2008, e a imagenzinha dos “apóstrofos”. Mas esse assunto continuou me incomodando: será possível que a educação no Brasil esteja mesmo tão capenga?
E só olhar para os dados mais recentes sobre a educação no Brasil para perceber que a situação não é das melhores, embora já tenha acontecido um avanço significativo. A taxa de analfabetismo na faixa etária de 15 anos ou mais em 1970 era de 33,60%; em 1980 caiu para 25,50%, e em 2000 caiu para 13,60%. Mas esse índice ainda é preocupante, pois representa uma parcela da população que encontrará dificuldades sérias para se inserir no mercado de trabalho. Isso sem falar no analfabetismo funcional e nos índices de evasão escolar que, embora tenham diminuído, ainda são alarmantes.
Claro, a educação pública deficitária é um dos aspectos que contribui para essa situação, mas não o único. As dificuldades que as crianças enfrentam para se manterem na escola são muitas, e derivam principalmente da situação sócio-econômica desfavorável. Não raro vemos crianças e adolescentes desistirem dos estudos para começarem a trabalhar, com o objetivo de ajudar no orçamento familiar. Admito, sim, que o poder público também tem sua parcela de culpa, por não investir (ou investir pouco) em políticas públicas de apoio à educação básica e profissionalizante. Mas a sociedade também tem sua parcela de culpa, por colocar no governo os maus políticos, e por não exigir dos governantes o atendimento aos direitos fundamentais do cidadão.
Meu pai, por exemplo, não teve oportunidade de ter uma educação formal completa: nascido em uma família muito pobre, ele abandonou a escola na adolescência para trabalhar. Mas isso nunca o impediu de tentar aprimorar sua cultura por outros meios, lendo sobre os assuntos que lhe interessavam, por exemplo, e acompanhando de perto a política e economia, não só no Brasil, mas também no restante do mundo. O problema é que existem poucas pessoas com esse tipo de iniciativa. A vasta maioria prefere se acomodar em uma situação desconfortável, se alhear da política, e amparar-se em desculpas de falta de oportunidade, se eximindo de sua responsabilidade. Que faltaram oportunidades na infância e na adolescência, vá lá, mas se esconder para sempre nesse tipo de desculpa, mesmo quando há novas oportunidades surgindo (alguém aí citou o programa Brasil Alfabetizado?) me parece escapismo.
Somado a isso ainda há outro problema, e isso eu posso dizer observando o caso do meu irmão mais novo, de 11 anos: ele tinha uns 3 anos quando ganhou o primeiro videogame, e sempre conviveu com computadores (enquanto eu só tive contato com um computador aos 8 anos de idade, e com a internet aos 12!). Claro que ele é muito bom em jogos eletrônicos! Mas, em compensação, até os 9 anos de idade, mais ou menos, ele nunca tinha lido um livro inteiro (aqueles livrinhos de pré-escolar não contam!), enquanto eu, na mesma idade, já tinha lido vários livros! Para remediar a situação minha mãe decretou que, todos os dias, ele só poderia ligar o videogame se, por uma hora, ele parasse para ler um livro. O que começou como uma exigência para que ele sustentasse seu “vício virtual” hoje é um hábito saudabilíssimo: meu irmão de 11 anos lê, por ano, mais livros do que a média dos adultos no Brasil!! É fato que a leitura vem perdendo terreno para a televisão, os videogames e a internet, que, visualmente, são muito mais atrativos. Mas o que se perde com isso reflete-se nas redações do ENEM e dos vestibulares de todos os anos: milhares, se não milhões, de adolescente saem da escola sem a menor capacidade de redigir um simples texto dissertativo! Pior, muitos saem da faculdade sem essa mesmíssima capacidade!
A situação da educação no Brasil tem melhorado bastante, mas ainda deixa muito a desejar. Eu, pessoalmente, acredito que não existe futuro fora da educação: enquanto o problema da educação não for resolvido, acho muito difícil que outros problemas, como a violência urbana, a gravidez na adolescência, e a miséria sejam resolvidos. Exigir do poder público políticas eficientes para a educação pode ser uma boa iniciativa. Afinal de contas, a idéia de que o analfabetismo será parte do futuro do Brasil não tem a menor “grassa”.

Earth Hour

Voltando ao assunto do post anterior, não esqueçam da Hora do Planeta!
"Hora do Planeta é um ato simbólico no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas. O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem o significado de chamar para uma reflexão sobre o tema ambiental.Conhecido mundialmente como Earth Hour, a Hora do Planeta será promovida no País pela primeira vez pelo WWF-Brasil e conta com a adesão e apoio do Rio de Janeiro , a primeira cidade brasileira a aderir à iniciativa.A Hora do Planeta será realizada no dia 28 de março, das 20h30 às 21h30"

Vamos colaborar, pessoal! O Planeta conta conosco!

"Seja você a mudança que espera ver no mundo"

Mahatma Gandhi

O Peso da Cidade

Cidades invisíveis, de Ítalo Calvino é um livro extraordinário: não só pelo seu inegável lirismo, que o torna um exercício à sensibilidade, mas pela discussão que evoca. O livro de Calvino nos faz repensar a cidade, o nosso próprio conceito de cidade, tornando-a um emblema da complexidade da existência humana. Tal reflexão nunca foi tão importante para nossa sociedade como hoje, embora a maior parte de nós não perceba.
O livro tem como protagonistas o mercador veneziano Marco Pólo e o imperador mongol Kublai Khan: cada capítulo corresponde a uma descrição, fictícia, feita por Marco Pólo de uma das cidades visitadas em suas missões diplomáticas a serviço do Khan. As cidades relatadas por Pólo são cidades belas, ora delgadas, ora ocultas, sempre fantásticas e surreais. As narrações de Pólo são entremeadas pelos diálogos entre ele e o imperador, nas quais os dois ponderam a respeito das cidades, do homem e da existência.
Embora escrito três décadas atrás a temática abordada por Calvino nunca foi tão atual: o livro pode ser considerado uma metáfora (ou uma crítica?) da sociedade contemporânea. Cidades como Leônia, Bersabéia, Procópia entre outras, não são apenas cidades invisíveis, líricas ou imaginadas... Todas carregam algum tipo de relação com nossa realidade: são símbolos das nossas cidades atuais. O que nos faz refletir sobre o nosso papel como arquitetos, urbanistas e, principalmente, como seres humanos.
Não é de hoje que o tema da cidade é abordado por pensadores de outras áreas do conhecimento. E mesmo dentro do campo do urbanismo diversos autores já abordaram a questão da cidade contemporânea, como o arquiteto e urbanista inglês Richard Rogers, em Cidades para um pequeno planeta. É possível mesmo estabelecer um paralelo entre as duas obras. Em Cidades Invisíveis, por exemplo, Calvino escreve sobre uma cidade em forma de teia de aranha: suspensa sobre um precipício, em meio a duas montanhas, Otávia é sustentada por uma rede tão fina que qualquer sobrecarga poderia romper o equilíbrio e, conseqüentemente, a cidade cairia no abismo. A cidade de Otávia é semelhante ao nosso planeta: para sobreviver dependemos de um equilíbrio extremamente frágil. O problema é que vivemos em uma sociedade que satura nosso ecossistema de maneira tão drástica que, de uma hora pra outra, podemos cair sobre o despenhadeiro. O livro de Rogers traz uma mensagem clara: nosso planeta não suporta mais as nossas cidades, populosas, poluídas e poluidoras. É um caminho arriscado esse que estamos seguindo. E o problema maior é que estamos levando muito tempo para nos dar conta disso.
Claro, seria mentira dizer que o debate sobre a sustentabilidade é inédito. Na verdade, esse tema vem preocupando os estudiosos há muito tempo. Mas só agora, com a discussão sobre desenvolvimento sustentável estendendo-se a todas as esferas da sociedade é que esse tema ganhou força no urbanismo. Hoje em dia realizam-se simpósios e congressos, escrevem-se teses e mais teses sobre esse tópico. Mas é tudo panfletário demais, ideológico demais. Até agora poucas foram as idéias que saíram do papel, ou da prancheta. E enquanto isso, nosso frágil ecossistema continua ameaçado pelo peso do consumismo.
A conscientização talvez seja a etapa mais importante desse processo. Falo não apenas da difusão dessas idéias entre os profissionais da área, mas entre a população como um todo. Não temos mais qualidade de vida nas nossas cidades, e isso não nos preocupa. É preciso que a população tome consciência da importância do debate sobre urbanismo, é preciso que arquitetos e urbanistas lutem com unhas e dentes para defender suas idéias junto ao poder público, é preciso tornar a questão urbana um problema de todos.
É preciso isto, é preciso aquilo... Mas é preciso principalmente que as resoluções deixem o subsolo escuro das idéias onde elas permanecem encarceradas. Transformar a idealização em ação é a tarefa mais urgente a todos nós. Já é hora de pensarmos na cidade, ou re-pensarmos a cidade. Ou mudamos nossa forma de viver, ou não haverá futuro para as próximas gerações. Estamos pendendo sobre um abismo perigoso: qualquer sobrecarga pode nos fazer cair. Principalmente o peso de nossa própria consciência.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cinco Livros 3

1. O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupery
Como um livro escrito para crianças pode se firmar como um clássico, apreciado por pessoas de todas as idades e por tanto tempo? Talvez essa façanha seja mérito da genialidade de Saint Exupèry. A história do aviador que encontra o princepezinho do espaço durante uma pane em pleno deserto do Saara é uma das mais comoventes já escrita. Frases como "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que tiveres cativado" e "Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde desde às três começarei a ser feliz" encerram profundas lições de vida. Maravilhoso!
2. Lições de Arquitetura, de Herman Hertzberger
Um dos livros mais didáticos que eu já li sobre arquitetura, Lições de Arquitetura fala sobre vários temas recorrentes na arquitetura, como a relação entre espaços públicos e privados, articulação entre espaços, espaços convidativos, uso da estrutura como expressão, etc. o autor ilustra os temas abordados com vários exemplos projetuais.
3. Forma y diseño, de Louis Kahn
O que é forma? O que é desenho? O que acontece entre essas duas realidades distintas, a do pensamento e a da idéia materializada? Em Forma y diseño, Louis Kahn aborda esses temas de maneira conceitual e reflexiva, ilustrando-os com projetos como a Igreja Unitária, em Rochester, em que ele aplica suas teorias. É um livro fundamental para a formação do pensamento crítico em arquitetura.
4. A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson
Minha infância foi povoada por figuras heróicas de capa e espada: mosqueteiros, cavaleiros, e piratas! Um dos livros que aguçaram minha imaginação infantil, A Ilha do Tesouro conta a história de um garoto inglês chamado Jim Hawkins, que rouba de um pirata morto o mapa para a misteriosa Ilha do Esqueleto, onde estaria enterrado um tesouro incrível! A partir daí, Jim vive as mais emocionantes aventuras. Io-ho!
5. O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson
Nada dos efeitos especiais esfuziantes, ou do rock pesado que se vê hoje em dia nos filmes de terror: em o médico e o monstro Robert Louis Stevenson conta a história de um renomado médico, Dr. Henry Jeckyll, que, na busca por uma cura para sua enfermidade, desenvolve um soro que o transforma no terrível Mr. Hyde. Robert Louis Stevenson consegue criar um terror diferente, psicológico, através de um personagem cruel e selvagem, na pele de Mr. Hyde, ao mesmo tempo em que ironiza os cientistas, especializados em brincar de Deus. Além disso, cria o terror absoluto, quando o criador se transforma na criatura... Talvez os roteiristas de filmes de horror devessem buscar inspiração em clássicos como o de Stevenson: complexo, sinistro... e de gelar o coração!

terça-feira, 10 de março de 2009

Pense leve...

O texto abaixo me foi enviado por e-mail por uma amiga da faculdade e resolvi compartilhar com vocês. É um texto muito legal, vale a pena dar uma olhada.
A importância de perder peso
(Martha Medeiros)
"Vou ao supermercado e constato o crescimento do setor de dietéticos. Abro revistas e me deparo com as exigências de se ter um corpo esbelto. As clínicas de cirurgia plástica estão com a agenda lotada de homens e mulheres esperando sua vez para lipoaspirar, cortar, reduzir. A sociedade toda conspira a favor da magreza, e de certo modo isso é positivo, ser magro faz bem para a auto-estima e para a saúde. Mas não tenho visto ninguém estimular outro tipo de dieta igualmente necessária para o bem-estar da população. Encontro suco light, chocolate light, iogurte light, mas pessoas light são raridade.
Muita gente se preocupa em ser magro, mas não se preocupa em ser leve. Tem criatura aí pesando 48 quilos e que é um chumbo. São aqueles que vivem se queixando. Possuem complexo de perseguição, acham que o planeta inteiro está contra eles. Não se dão conta da sua arrogância, possuem certeza de que são a razão da existência do universo. Estão sempre dispostos a fazer uma piadinha maldosa, uma fofoquinha desabonadora sobre alguém.
Ressentidos, puxam o tapete dos outros para se manter em pé. Não conseguem ver graça em nada, não relevam as chatices comuns do dia-a-dia, levam tudo demasiadamente a sério. São patrulhadores, censores, carregam as dores do mundo nas costas. Magrinhos, é verdade. Mas que gente pesada.
Ser minimalista todo mundo acha moderno, mas ser leve — cruzes! — parece pecado mortal. Os leves, segundo os pesados, não têm substância, não têm profundidade, não têm consistência intelectual: não são leves e, sim, levianos. Os pesados não conseguem fechar o zíper das suas roupas de tanto preconceito saltando pra fora.
Não bastasse a carga tributária, a violência, a burocracia e a corrupção,ainda temos que enfrentar pessoas rudes, sem a menor vocação para se divertir. Diversão — segundo os pesados, mais uma vez — é algo alienante e sem serventia. Eles não entendem como alguém pode extrair prazer de coisas sérias como o trabalho e a família. Não entendem como é que tem gente que consegue viver sem armar barracos e criar problemas.
Eu proponho uma campanha de saúde pública: vamos ser mais bem-humorados, mais desarmados. Podemos ser cidadãos sérios e respeitáveis e, ao mesmo tempo, leves. Basta agir com mais delicadeza, soltura, autenticidade, sem obediência cega às convenções, aos padrões, aos patrões.
Um pouco mais de jogo de cintura, de criatividade, de respeito às escolhas alheias. Vamos deixar para sofrer pelo que é realmente trágico e não por aquilo que é apenas um incômodo, senão fica impraticável atravessar os dias. Dores de amor, falta de grana e angústias existenciais são contingências da vida, mas você não precisa soterrar os outros com seus lamentos e más vibrações. Sustente seu próprio fardo e esforce-se para aliviá-lo. Emagreça onde tem que emagrecer: no espírito, no humor. E coma de tudo, se isso ajudar."

Fazer Arquitetura...

A maior parte das pessoas acha que fazer arquitetura é uma atividade relaxante, quase fácil. Afinal de contas, passar os dias colorindo desenhinhos, fazendo plantinhas e maquetinhas parece ser um barato! Mas ninguém fora do nosso meio-ambiente entende o que realmente significa fazer arquitetura...
Fazer arquitetura é passar horas, ou até mesmo dias em cima da prancheta (ou do computador) debruçado sobre o mesmíssimo problema: pode ser um problema de fluxos, o espaço interno pode estar apertado demais, pode ser uma confusão nos acessos, ou um detalhezinho técnico (talvez não tão zinho assim) que interferiu em toda a forma do edifício e pronto! Lá está você, heroicamente, como um espartano, tentando descobrir uma solução que, na maioria das vezes, é óbvia. E aí você arremata com um “como foi que eu não pensei nisso antes?”. Ou você resolve seu problema e fica impressionado com sua genialidade arquitetônica só pra descobrir, mesmo que muito tempo depois, que sua solução não foi tão genial assim. Fazer arquitetura é estudar livros e mais livros, debruçar-se sobre teorias complexas, descabelar-se quando você não entende nada e, o pior, a prova é na semana que vem! Fazer arquitetura é desenhar, desenhar muito, se esmerando nos detalhes e depois ter que ouvir um professor perguntar a respeito de um detalhe que você levou horas pra fazer “isso é um tanque? Parece um vaso sanitário!” Fazer arquitetura é falar de grandes mestres da arquitetura como se eles fossem seus amigos de boteco: “Ah, o Mies era fenomenal!”, “O Corbu é que entendia desse assunto.” Fazer arquitetura é esquecer da vida... Isso se você ainda tiver uma, depois de virar noites e noites fazendo projetos, maquete, trabalhos... Fazer arquitetura é andar feito doido pelas ruas, olhando para os prédios, e tirando fotos de construções ao invés de pessoas. Fazer arquitetura é se emocionar ao ver uma obra genial. É ter ídolos que a maior parte dos seus amigos e parentes nem conhece! Quando seu perfil do Orkut tem mais fotos de seus projetos do que suas, você sabe que faz arquitetura. Quando você faz arquitetura, sua noção de tempo muda: dia e noite significam apenas luz apagada ou acesa. Quando você faz arquitetura você descobre que comer não é tão importante, e que tomar banho pode ser um luxo em algumas ocasiões. Quando você começa a conversar sobre espacialidade e teoria da arquitetura com seu irmão de 11 anos, você sabe que faz arquitetura! E, tão certo como o momento fletor em uma laje causa deformação no centro, você sabe que está fadado a isso pra sempre. Porque, apesar das noites mal-dormidas e das noites nem-dormidas, apesar da dor absurda na lombar depois de ficar horas sentado na cadeira do computador, apesar de ter se descabelado às vésperas de todas as provas de sistemas estruturais, você adora isso. Fazer o quê? E graças aos estudantes de arquitetura, e mesmo aos arquitetos formados, os psicólogos nunca ficarão sem emprego. Afinal de contas, nós somos doidos por Arquitetura!

"O Futuro do Brasil" pt 2

"04) Qual a função do apóstrofo?
Apóstrofos são os amigos de Jesus, que se juntaram naquela jantinha que Michelângelo fotografou."


Quedizê?


segunda-feira, 9 de março de 2009

As cidades e os sonhos 1: Paris

Paris, cidade luz, sempre foi para mim uma cidade dos sonhos, com seus cafés, suas largas avenidas, suas ruelas estreitas, suas pontes, seus jardins, suas fontes, a grande torre de ferro, os suntuosos palácios dos reis, a pirâmide de vidro, a fortaleza convertida em prisão, uma praça em uma ilha, a grande catedral com sua abóbada de pedra, de onde monstros também de pedra, observam as pessoas com seu semblante ameaçador... A atmosfera está permeada por acontecimentos da memória de Paris, e a cidade faz questão de exibir seu passado, seja nas fachadas dos palácios e catedrais, nos museus, nas estátuas, nas placas comemorativas ou nos monumentos de guerra.
Meus olhos passeiam por Paris e surpreendem seus personagens. Em uma calçada há um pintor dando cores às águas do Rio Senna, enquanto outro pintor registra os rostos de Paris, as faces com que a cidade se mostra para o mundo: nesse momento ele se concentra em um café, onde um casal de namorados se olha apaixonadamente nos olhos, porque, nesse momento, nesse lugar, as palavras são inúteis. Do outro lado da rua uma moça passa com um manhoso cachorrinho em uma coleira, ouvindo com olhar perdido a canção que um velho músico toca no realejo, sem prestar atenção ao moleque que, ao seu lado, vende flores, enquanto uma cigana morena, com sua longa saia rodada e grandes argolas nas orelhas, lê a sorte dos passantes e prevê fortuna para uns, amor para outros, viagens, nascimentos, e mudanças.
Basta fechar os olhos e penso estar percorrendo as ruas de Paris, explorando suas perspectivas, como o amante que explora o corpo do ser amado, roubando-lhe o segredo como quem rouba um beijo. É tarde, o céu começa a escurecer. Agora todas as suas luzes estão acesas, e a cidade ganha o aspecto de céu estrelado... A noite cai também nos corações de Paris: a lua é testemunha fiel das confidências dos namorados nos bancos das praças e, basta chegar a madrugada e logo os protagonistas da cidade noturna surgem, ocupando as ruas, praças e bordéis: os libertinos, os bêbados, as meretrizes, os amantes que se entregam ao último beijo antes de partir...
Penso em todas essas coisas quando falo em Paris. Evoco sempre essas mesmas imagens, metáforas, discursos e perspectivas. Não sei dizer que tipo de encanto, ou feitiço, ou magia é essa que envolve Paris, e me transporta para a cidade em todos os meus sonhos, onde eu me embriago de fantasias enquanto procuro desvendar seu mistério. Talvez Paris não seja exatamente como imaginei. Talvez a Paris idealizada não corresponda à verdadeira Paris, mas sim a uma Paris de outra época ou de outro lugar; ou talvez a Paris de meus sonhos seja a verdadeira Paris, e a outra uma cidade falsa, uma usurpadora. Não sei o que acontecerá quando eu encontrar a verdadeira Paris; às vezes tenho medo de que, indo até lá e vendo-a tal como ela é realmente, o encanto que a cidade exerce sobre mim se desfaça, e ela deixe de ser aquela que construí, ponto por ponto, em meus sonhos, e a cidade sonhada desapareça, como a poeira soprada pelo vento.

quinta-feira, 5 de março de 2009

"O Futuro do Brasil"

O tema da redação do ENEM 2008 foi o aquecimento global e como sempre algumas "pérolas de sabedoria" se destacaram. Aí estão algumas delas. Com vocês, o futuro do Brasil...
1) "o problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."
(percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)
2) "A amazônia é explorada de forma piedosa."
(boa)
3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta."
(tamo junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)
4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."
(e na velocidade 5!)
5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."
(pra deixar bem claro o tamanho da destruição)
6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação." (pleonasmo é a lei)

7) "Espero que o desmatamento seja instinto." (selvagem)
8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo." (o verdadeiro milagre da vida)
9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta."
(também fiquei emocionado com essa)
10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis."
(todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro, e realizar uma árvore renovável)
11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas."
(esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd's da coleção do Chaves)
12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna."
(amém)
13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza."
(e as renováveis?)
14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica."
(deve ser culpa da morte ecológica)
15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável."
(ignorem, por favor)
16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias."
(peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)
17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia."
(o quê?)
18) "Paremos e reflitemos."
(beleza)
19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas."
(onde está o Guarda Belo nessas horas?)
20) "Retirada claudestina de árvores."
(caraulio)
21) "Temos que criar leis legais contra isso."
(bacana)
22) "A camada de ozonel."
(Chris O'Zonnell?)
23) "a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor."
(a solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra cortar árvores)
24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração."
(para fabricar o papel que ele fica escrevendo asneiras)
25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável."
(campeão da categoria "maior enchedor de lingüiça")
26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação."
(NÃO!)
27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises."
(gênio da matemática)
28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes."
(red bull neles - dizem as árvores)
29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório."
(ótima)
30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando."
(subindo!)
31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc."
(deve ser a globalização)
32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem."
(gzus)
33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis."
(imaginem as que foram votadas no banheiro deles)
34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia."
(oh god)
35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?"
(dicionários)

-.- Né?? 

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Revisitando Burle Marx


A viagem ao Rio de Janeiro foi muito bem, obrigada, apesar do tempo ruim. Me rendeu um bronzeado esperto (hehehe) e, o mais importante, a oportunidade de conhecer um pouco mais toda a produção do genial Burle Marx, arquiteto paisagista de talento excepcional. A exposição "Roberto Burle Marx 100 anos, a permanência do instável", no Paço Imperial traz pinturas, tapeçarias, jóias e projetos de paisagismo do grande Burle Marx. Simplesmente imperdível!!!!


Av. Atlântica, RJ


Data e horário: 12 de dezembro de 2008 a 22 de março de 2009, de terça a domingo, das 12h às 18h Adicionar imagem
Local: Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro
Rio de Janeiro RJ

Maiores informaçõesfone: 21 2293.6522

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Sustentabilidade e petróleo?

Nem só de petróleo e prédios caros vivem os sheikes dos Emirados Árabes. A cidade mais sustentável do mundo vai ser construída no emirado Abu Dhabi. Masdar terá um sítio para produção de energia solar e um instituto onde serão realizadas pesquisas na área de fontes alternativas de energia, em parceria com o prestigioso MIT. As construções utilizaram materiais reciclados, como o alumínio e boa parte do concreto, e outros serão retirados do local, diminuindo o custo ambiental do transporte. Como todas as construções possuirão painéis fotovoltáicos, a cidade será autosuficiente em energia. A previsão é de Masdar comporte cerca de 40 mil habitantes.
Oxalá iniciativas como esta comecem a se espalhar, embora nem todos os países disponham dos recursos finaceiros dos Emirados para investir em uma maravilha como essa. Na verdade seria muito bom se pudéssemos apenas reduzir os níveis de poluição gerados pelo petróleo que, coincidência!, é a principal fonte da dinheirama dos Emirados!

Veja a matéria completa no Blog Planeta Sustentável clicando aqui

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Novo MASP

Faz tempo que você não vai ao MASP? Ou você nunca foi? O segundo andar, onde localzia-se o acervo do museu, ficou fechado por dois meses e reabriu em outubro de 2007 com uma nova concepção de exposição. Agora o acervo do MASP não está mais organizado por períodos e regiões geopolíticas, mas sim por temas. Se você quiser saber o que o aguarda na sua próxima visita ao MASP, aqui vão os resumos das exposições. São quatro exposições temáticas: A arte do mito, A natureza das coisas, Olhar e ser visto, e Virtude e Aparência (a caminho do moderno).
ARTE DO MITO
Mito, arte, realidade

"O mito é o nada que é tudo, diz um verso de Fernando Pessoa em Mensagem. O homem é um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. E o mito é uma das primeiras histórias, das primeiras formas do sentido, que o homem se deu. Jacob Bryant, citado por Edgar A. Poe no famoso conto sobre a carta roubada, escreveu que nos esquecemos de que não acreditamos nas fábulas e continuamos agindo a partir delas como se fossem realidades existentes.
O mito começou a entrar para a realidade primeiro na literatura oral e, depois, por aquilo que se chama arte. Toda a primeira grande arte da humanidade, a chamada arte clássica, depende do mito que, assim, se na arte não é tudo, por certo é muita coisa. E é um gênero que, com a paisagem, a natureza morta e o retrato, orienta a nova exposição permanente do MASP. Um gênero feito de obras na aparência fáceis de entender. Tudo nelas parece familiar. Mas, o que mesmo diz O julgamento de Paris ou o Himeneo de Poussin?
Esta mostra propõe uma reapropriação sensível destas fábulas que continuamos a tratar como realidades. A coleção do MASP é rica neste gênero e iniciar por ele a comemoração de seus 60 anos era uma evidência, em dupla homenagem à arte e àquilo que, diz Pessoa, "sem existir nos bastou / por não ter vindo foi vindo / e nos criou": o mito, essa carta roubada (que nos roubamos) e que no entanto segue à vista - bem oculta."

Teixeira Coelho
Curador-coordenador, MASP

"Por que o mito? Porque o acervo do Masp possui um núcleo de obras com temas mitológicos extraordinário, num conjunto que merece ser revelado e explorado. E porque apresentar obras de técnicas e períodos diferentes com temas afins é uma das formas melhores para se evidenciar estilos individuais, visões originais - condição da existência da própria arte - e especificidades culturais de cada época; para se perceber contrastes e idéias partilhados ao longo dos séculos; para se descobrir que um nu de Manet ou Renoir pode ter mais pontos em comum com a antiguidade do que o simples "clichê" de pintores revolucionários a eles atribuído deixa suspeitar. Uma exposição sobre o mito permite, também, um retorno à nascente da cultura ocidental através das fontes literárias, que ajudam a decifrar as narrativas.
O mito é, portanto, o fio condutor desta exposição, com o seu emaranhado de lendas e símbolos, mas não seu protagonista absoluto. Ao longo dele desenvolvem-se as várias técnicas e linguagens da arte, da musicalidade e ordem em Saraceni e Poussin à atmosfera densa de Delacroix. Apesar de os temas narrativos serem objeto de atenção no material informativo à disposição do público, convém lembrar que o tema por si só não é arte. A arte está no olhar que o artista empresta ao tema. Este é, porém, um passaporte para se entrar na obra, um enigma diante do qual não queremos que o visitante, como os tebanos diante da Esfinge, sucumba."

Roberto Carvalho de Magalhães
Curador
arte do mito - em exposição desde 3 de outubro de 2007
OLHAR E SER VISTO
"Olhar e ser visto, que estará aberta ao público em 10 de outubro, celebra a arte do retrato e do auto-retrato do século 16 aos nossos dias. São telas, fotografias, esculturas, desenhos e gravuras, tornando possível perceber as diversas transformações na representação pelas quais a efígie passou ao longo dos anos.
A exposição foi organizada em cinco blocos: O retrato da pompa, O recurso à cena, Eu mesmo, Retratos modernos e A desconstrução, que conduzem o espectador no mundo dos retratos, acompanhando as diversas transformações por que passou o modo de registrar as pessoas na arte. No caminho proposto pelo curador do MASP, Teixeira Coelho, as primeiras obras mostram retratados de corpo inteiro, altivos e imponentes. Mais para o final o que aparece dos modelos é quase nada e em alguns casos as imagens mal permitem a identificação do retratado.
Maior das quatro mostras temáticas do acervo com 95 obras, Olhar e ser visto soma-se a A arte do mito, com 46 obras, aberta em 2 de outubro passado; A natureza das coisas, com 69 obras, aberta em 23 de abril e Virtude e aparência (A caminho do moderno), com 38 obras, aberta em 18 de julho, totalizando as 248 obras, que podem a partir de outubro ser vistas em conjunto e ficam por tempo indeterminado em cartaz.
Entre os inúmeros destaques da nova mostra temos O artista (1875), de Manet; Paul Alexis lê o manuscrito a Zola (1869-70) de Cézanne; Rosa e azul - As meninas de Cahen d´Anvers (1881) de Renoir; Auto-retrato com barba nascente (1635) de Rembrandt; Auto-retrato (Perto de Gólgota) (1896) de Paul Gauguin; Renée (1917) de Modigliani; Retrato de Suzanne Bloch (1904) de Picasso; Greta Garbo (1937) escultura em gesso de Ernesto de Fiori."
texto extraído do site oficial do MASP:http://masp.uol.com.br/exposicoes/2008/olhareservisto
olhar e ser visto - em exposição desde 10 de outubro de 2007
A NATUREZA DAS COISAS

"Uma cadeira é uma coisa. E uma pedra, uma nuvem, uma folha. O mundo todo é uma coisa, escreveu Kant. Tudo que existe é uma coisa. Tudo menos, para alguma filosofia e em muita pintura, a figura humana, uma interrupção nesse largo contínuo que é o mundo das coisas.
Mas em pintura há um gênero em que coisas e homens se tornam uma unidade: a paisagem. A partir do século 18, a nascente ciência moderna era uma disciplina que dividia a natureza em suas partes para analisá-las. Ao lado, a pintura (e a pintura de paisagens) já era uma atividade de síntese propondo a unidade entre as emoções (a estética), os atos (a moral) e o conhecimento (a lógica). A unificação de todas as coisas.
Tem sido assim desde a renascença. Essas pinturas de paisagens contavam uma história importante que as pessoas conheciam. Uma história de conteúdos morais: o carvalho representava a coragem; os álamos, a dor; a salamandra, o mal. (no século 21 não sabemos mais ler essas coisas: cultura e natureza se divorciaram.)
Nesta mostra, porém, não há só paisagens. Nem somente paisagens da natureza identificada com o campo. Há marinhas, naturezas-mortas e as paisagens culturais que são as paisagens urbanas. É a natureza dessas coisas que esta mostra busca revelar. Hoje, é fato, o mistério das coisas se esvaiu, acompanhando o desencantamento do mundo. Se há uma imagem exata de como se sente o homem contemporâneo diante das coisas (e das "velhas" pinturas de paisagem) são estas palavras de Fernando Pessoa: "o único sentido oculto das cousas/é elas não terem sentido oculto nenhum [...] as cousas não têm significação, têm existência. /as cousas são o único sentido oculto das cousas".
E o poeta continua para dizer que "não basta abrir a janela /para ver os campos e o rio./não é bastante não ser cego/para ver as árvores e as flores./é preciso também não ter filosofia nenhuma." o poeta resume assim, sem dizê-lo, a história da arte da pintura de paisagem, uma história da passagem da arte com filosofia para a arte sem filosofia. Esta exposição, a segunda de quatro mostrando a coleção do MASP sob novo ângulo é ocasião para reaprender a ver este gênero central da arte ocidental e desaprender outras tantas coisas.
"

Teixeira Coelho
curador do MASP
a natureza das coisas - em exposição desde 24 de Abril de 2008
VIRTUDE E APARÊNCIA (A caminho do moderno)

"Nesta exposição, estão presentes duas linhas de força da história da arte ocidental. A primeira se traduz na idéia de que, ao olhar-se para uma obra, era preciso ver além do que estava nela representado. Como John Ruskin insistia no século XIX, entregar-se à imitação, insistir no valor da arte por sua capacidade de reproduzir as coisas tais quais era pouco e vulgar; os prazeres desse olhar primário estavam entre os mais desprezíveis. Na arte de tema religioso, essa linha está presente: a beleza de uma madona não reside tanto (ou nada) no que se vê na tela, mas num outro plano, além ou superior, acessível apenas ao intelecto. A virtude da obra estava em grande parte fora dela, talvez acima dela. Há virtudes visíveis, sem dúvida, como a perícia do artista. Mas a principal delas ficava além do visível. São exemplos dessa linha obras do século XIII como a Madonna, do Maestro Del Bigallo, além das de Rafael, Bellini e Botticelli.
Ao lado dessa arte, porém, para atender a outras necessidades da aristocracia e da burguesia nascente num mundo em transformação, surge no século XVI uma outra voltada para as aparências em todos visíveis. Entre essas, a nascente arte da paisagem e do retrato. Virtudes imateriais ainda existem, mas as aparências da tela começam a predominar e são, mesmo, essenciais. Tudo está à superfície das coisas e o prazer consiste em vê-las, a exemplo do que se vê nas telas de Metsys, Boucher e Fragonard representando cenas do dia a dia ou aquelas cuja beleza maior está no equilíbrio entre as cores da pele e dos tecidos das personagens.
Este jogo entre o visível e o invisível, entre conteúdo conceitual e uma superfície que logo se entrega ao olhar está na base da arte ocidental. Apresentam-se, nesta mostra, obras do momento em que essa separação e esse conflito instalam-se na arte ocidental e dos instantes logo posteriores, quando as aparências se afirmam e se caminha para o moderno."
Teixeira Coelho
curador do MASP
virtude e aparência - em exposição desde 18 de Julho de 2008
BOA VISITA!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ensinando a viver (Martian Child)



Ótimo filme! John Cusack, pra variar, é maravilhoso!

A propósito, somos todos marcianos...

YES, WE DID IT!


O dia de ontem entrou definitivamente para a história!!
Sim, nós podemos!
Sim, nós conseguimos!
Agora é contigo, Obama.

Tragédia Igreja Renascer


Pra quem acha que arquitetura e engenharia são artigos supérfluos: nessa profissão uma cagada pode significar um vazamento na sua cozinha... ou, dependendo das proporções, pode levar à morte de muitas pessoas. Arquitetura é coisa séria!

Cinco livros 2

1. Por uma Arquitetura, Le Corbusier
Poucos movimentos na arquitetura foram tão amados e odiados quanto o modernismo: rechaçado pelos acadêmicos do início do século XX, aclamado pelos artistas na primeira metade do século, criticado pelos pós-modernos a partir da década de 60, o modernismo foi uma das aventuras mais rebeldes e empolgantes da história da arquitetura. Por uma Arquitetura é um impressionante manifesto em favor da Arquitetura Moderna, da autoria do irônico Le Corbusier. Através das críticas aos seus "colegas" da Academia de Belas Artes, Corbu destrincha neste livro boa parte de seus ideais. Leitura indispensável para os entusiastas do modernismo.
2. A insustentável leveza do Ser, de Milan Kundera
Um dos livros mais densos que eu já li em toda a minha vida!. O autor utiliza a história de quatro personagens completamente diferentes entre si para filosofar sobre a essência da vida humana, e nos questionar sobre o sentido da vida e da morte. Fabuloso!
3. Ei, tem alguém aí?, de Jostein Gaarder
Na noite em que espera pela chegada de seu novo irmãozinho, Joakim, um garotinho de oito anos, recebe a visita de um alienígena chamado Mika. Enquanto espera seus pais voltarem da maternidade com seu irmãozinho, Joakim e Mika conversam sobre várias das questões que a filosofia tenta responder. Jostein Gaarder, autor de O mundo de Sofia, consegue mais uma vez escrever um livro fascinante sobre filosofia, que agrada adultos e crianças.
4. Deuses, Túmulos e Sábios, de C.W. Ceram
"O romance da Arqueologia" de Ceram trata de um assunto fascinante: a história da arqueologia. Ceram relata as principais descobertas arqueológicas dos últimos séculos: que tal visitar as cidades de Herculano e Pompéia, que foram simultaneamente destruídas e preservadas por uma erupção do Vesúvio? Ou descobrir como o brilhante Champollion decifrou a complicada escrita hieroglífica egípcia usando a Pedra de Roseta? Leitura para muitas horas...
5. O Poder do Mito, de Joseph Campbell e Bill Moyers
Joseph Campbell foi uma das maiores autoridades mundiais em mitologia. Sua morte em 1987 com certeza foi uma grande perda para quem se dedica a esse assunto. De certa forma, o livro o Poder do Mito, transcrito a partir de um série de entrevistas compiladas em DVD de mesmo nome, foi um presente para os estudiosos e entusiastas como eu. O poder do Mito é um livro fascinante, em que Joseph Campbell fala sobre os mitos e sobretudo sobre a importância destes em nossas vidas, mesmo na era da tecnologia.