Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Reformas Urbanas: Viena Ringstrasse

Viena : a Ringstrasse

A cidade de Viena, no século 19, era formada por uma cidade interna, a área mais antiga e de origem medieval ainda cercada por uma muralha com uma faixa no entorno, não construída. Além desse cinturão a cidade havia se estendido em direção aos subúrbios, que ficaram isolados do núcleo urbano pelas fortificações e a área militar ao redor.
Essa grande extensão de terra no centro de Viena foi uma conseqüência do atraso histórico, uma vez que a cidade manteve suas fortificações medievais mesmo depois que as outras cidades européias já haviam abolido as suas muralhas.
Na segunda metade do século XIX os liberais chegam ao poder, e exigem o direito da autogestão municipal. Ao mesmo tempo a cidade passa por uma fase de desenvolvimento econômico que leva ao aumento da população pelas migrações. Viena torna-se centro da vida econômica e cultural da Áustria, o que gera a necessidade de se efetuar reformas na estrutura urbana da cidade.
As primeiras intervenções têm foco sanitarista e higienista: a canalização do rio Danúbio para evitar inundações, osistema eficiente de fornecimento de água, o sistema sanitário público e a construção do primeiro hospital público.
O cinturão ao redor do núcleo de Viena foi o centro da reconstrução urbana, realizada pela burguesia vienense. Como a reforma foi baseada nos interesses da classe mais rica não houve preocupação em melhorar as condições de vida da população nas áreas periféricas da cidade.
O exército vienense se opôs à reforma por questões de segurança: a faixa não edificada no entorno da muralha isolava a cidade antiga, onde residia a aristocracia, da periferia. Mantendo esse isolamento a corte podia se proteger de qualquer avanço revolucionário popular. A necessidade econômica de construção, porém, pesou mais do que o medo de uma revolta.
Em 1857 foi organizada uma comissão para expansão da cidade, que procurava regulamentar o planejamento urbano da Ringstrass. Nos primeiros anos de reforma a distribuição do espaço e as construções monumentais revelavam ideais neo-absolutistas. A primeira construção na Ringstrass foi uma igreja (1858 a 1879), simbolizando o poder da Igreja junto ao Estado. O papel do exército evidenciava-se na construção de quartéis e um arsenal, estrategicamente localizados para conter eventuais revoltas. A via principal que circunda o núcleo central foi construída em escala monumental para dificultar a construção de barricadas, a exemplo dos boulevares franceses.
Cerca de uma década depois do decreto para reforma da Ringstrass o regime neo-absolutista passou a ser uma monarquia constitucional. Assim, o exército perde seu poder junto ao Estado e o programa da Ringstrass passa a contemplar uma série de edifícios públicos, construídos em estilos diferentes de acordo com suas funções. Assim a administração municipal tem estilo neo-gótico, o Teatro em estilo neo-barroco, a universidade em estilo neo-renascentista e o parlamento em neoclássico. Enquanto na cidade antiga as principais construções eram palácios e igrejas, a Ringstrass contempla edifícios que demonstram o poder do governo constitucional. A monumentalidade não mais é aristocrática, mas sim popular.
A maior parte das construções na Ringstrass porém, é a de edifícios residenciais. A demanda por habitação leva à especulação imobiliária.
O controle do governo sobre as novas edificações se restringia à altura, alinhamento e em alguns casos ao parcelamento do solo. O restante era determinado pelo mercado consumidor, ou seja, pelos interesses da classe mais rica.
As construções características na Ringstrass foram os edifícios de apartamentos, com 4 a 6 andares e com poucos apartamentos. Na periferia a quantidade de unidades era maior para abrigar a população operária. As construções eram divididas e ocupadas de acordo com o poder aquisitivo dos moradores. O térreo era geralmente destinado ao comércio, o primeiro pavimento possuía espaços mais nobres; do segundo pavimento em diante a qualidade dos espaços eram menor. Numa época anterior à invenção do elevador, os primeiros andares eram os mais valorizados. Essa estratificação era evidenciada também no tratamento da fachada.
Como área residencial para a elite burguesa a Ringstrass foi um sucesso: era o local preferido das classes mais altas, mesmo com a existência de bairros elegantes na periferia. Os edifícios de apartamentos foram grandes investimentos, assim como os palácios de aluguel, que combinavam o prestígio de morar num palacete ao lucro. A tendência liberal levou a uma aproximação entre burguesia e aristocracia.
Pode-se notar que, no planejamento urbano dessa nova área, a Ringstrass, as classes mais baixas foram sistematicamente excluídas da nova estrutura urbana, e continuaram a morar na periferia, em moradias com condições precárias de salubridade.

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