Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Reformas Urbanas: Paris

REFORMA DE PARIS

No século XIX Paris era a segunda cidade mais industrializada da Europa. A exemplo do que aconteceu na pioneira Londres, Paris também sofreu um aumento populacional significativo depois do processo de industrialização, e apresentava condições de vida igualmente precárias especialmente entre a classe mais pobre.
Os primeiros a buscarem soluções para a cidade são os técnicos e higienistas. As Leis sanitárias são um início modesto da complexa legislação urbana contemporânea. Assim, a ação dos reformistas limita-se a setores como esgotos e suprimento de água potável. Contudo as intervenções não se estendem a toda a cidade por dificuldades políticas e financeiras. Na verdade pode-se dizer que ainda não havia uma verdadeira política urbana.
A ascensão dos governos da direita autoritária na Europa, com Napoleão III na França e Bismarck na Alemanha, leva a um controle mais rígido, por parte do estado, em vários setores da vida social e econômica, inclusive no campo do urbanismo.
A reforma de Paris, de 1851 a 1870 foi efetuada pelo Barão Haussman durante o governo de Napoleão III. Os objetivos da reforma de Haussman eram sanar as deficiências decorrentes do processo rápido de industrialização, com a construção de edifícios públicos que atendessem às novas demandas da população crescente, como estações ferroviárias, hospitais, edifícios administrativos, entre outros; reformas nos sistemas de água e esgoto e a criação de áreas verdes para salubridade e lazer. Todas essas iniciativas visavam transformar Paris na cidade mais importante do mundo. Além disso, é claro, havia um objetivo político implícito de manter a ordem pública e conquistar a simpatia popular através das reformas. No fundo o governo temia uma revolta popular em decorrência das acentuadas desigualdades sociais e econômicas existentes.
A situação do centro de Paris na época da reforma era problemática: sua característica medieval, com ruas estreitas, casas amontoadas umas sobre as outras, tornava as condições de vida muito precárias. A reforma buscava sanar essas deficiências através da criação de parques públicos, como Bois de Boulogne, a construção de edifícios públicos e de conjuntos habitacionais para a classe operária, a renovação das instalações (água e esgoto) para atender às novas demandas e as reformas no sistema viário. Nesse aspecto, aliás, a reforma de Haussman foi mais visionária, com a abertura de grandes avenidas (boulevares).
A atuação de Haussman, a princípio, foi muito criticada em função da destruição de áreas mais antigas da cidade. Os melhoramentos higiênicos e técnicos, contudo, acabaram por redimir Haussman.
A reforma de Paris foi a primeira grande reforma urbana e abriu caminho para uma série de outras reformas, tanto na França quanto no restante da Europa. Nenhuma dessas, porém, foi tão bem planejada ou teve tanto êxito quanto a reforma de Paris. Dentre os fatores de sucesso dessa reforma podemos citar o amplo poder do imperador, a existência de uma legislação urbana avançada (Leis de expropriação de 1840 e Leis Sanitárias de 1850), o alto nível técnico dos engenheiros da escola politécnica, o entendimento da dinâmica urbana do próprio Haussman e a importância cultural de Paris para o mundo. Se Paris já era um centro mundial de cultura antes da reforma, depois da intervenção de Haussman a cidade-luz se torna um exemplo de planejamento urbano eficiente.

Um comentário:

Anônimo disse...

Falar das motivações políticas e repressivas do governo golpista de Napoleão III daria um tom menos ingênuo à matéria. Espaço para o exército se mover e sufocar rebeliões populares foi algo muito mais urgente para o governo. A reforma pombalina de Lisboa ao menos teve a desculpa trágica de seu terremoto quase lendário.

Miguel