Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pós-Modernidade 01

A pós-modernidade é o período genérico que começa na década de 60, caracterizado por uma intensa crítica ao movimento moderno, o modelo arquitetônico vigente na época.
No final da década de 60 o movimento moderno encontrava-se em declínio. De modo geral a crise no modernismo começou de dentro pra fora, mais especificamente no CIAM X, organizado pelo chamado Team X: nesse momento já era possível notar um enfraquecimento dos ideais modernistas, tanto no campo da arquitetura quanto no campo do urbanismo. Assim, os questionamentos sobre a validade das teorias modernas tornaram-se mais abertos. Na década de 60 iniciou-se um período de transição conhecido como pós-modernidade, caracterizado por uma crítica veemente à ideologia modernista e pela ausência de um discurso unificador.
As mudanças que aconteceram na sociedade nesse período tiveram grande influencia sobre a produção arquitetônica pós-moderna: o fim das barreiras disciplinares e o conseqüente intercâmbio de conhecimento entre profissionais das mais diversas áreas, o fortalecimento do modo de vida capitalista e do consumismo, a disseminação da informação e dos avanços tecnológicos, o desenvolvimento das chamadas ciências sociais, como a antropologia, a sociologia, etc. Tudo isso contribuiu para que se formasse uma visão crítica sobre a produção arquitetônica moderna e conseqüentemente ocasionou o fortalecimento de uma nova ideologia. Nesse período reconheceu-se que os ideais de transformação social e do “homem novo” presentes no modernismo eram utópicos, uma vez que os seres humanos são, por natureza, indivíduos complexos, ou seja, não podem ser analisados sob pontos de vista generalistas ou universais. A falência da cidade moderna e funcional abriu o caminho para novos questionamentos no campo do urbanismo. Dentro da arquitetura surgiram críticas à visão tecnocrática e funcionalista do modernismo e ao seu caráter determinista, e assim, surgiram novos valores como o papel histórico, cultural e local na produção arquitetônica e a importância da forma em detrimento da função.
Todos esses questionamentos foram encabeçados por vários estudos, dentro e fora do campo da arquitetura. Dentre esses podemos citar:

- A Imagem da Cidade (1960) – Kevin Linch
- Morte e Vida das Grandes Cidades (1961) – Jane Jacobs
- Notes on the Synthesis of Form (1964) – Christopher Alexander
- Intenções em Arquitetura (1965) – Christian Norberg-Shulz
- Paisagem Urbana (1965) – Gordon Cullen
- Complexidade e Contradição em Arquitetura (1966) – Robert Venturi
- Arquitetura da Cidade (1966) – Aldo Rossi
- O Território da Arquitetura (1966) – Vittorio Gregotti

No entanto foi Charles Jencks quem popularizou o termo Pós-Modernismo com a publicação em 1977 do livro A Linguagem da Arquitetura Pós-Moderna, no qual, inclusive, Jencks fixa a data do nascimento do novo “estilo”: 15 de Julho de 1972 às 15:32 hs, o momento exato da demolição do conjunto Pruitt- Igoe, (St. Louis, Missouri), considerada um marco da falência de todos os ideais que até então haviam dominado a produção arquitetônica e urbanística.
Outro estudo fundamental para o fortalecimento de uma ideologia pós-moderna foi o livro Morte e Vida das Grandes Cidades (1961), de Jane Jacobs, socióloga, escritora e ativista nascida nos Estados Unidos e naturalizada Canadense. A partir da análise da situação das grandes cidades americanas na década de 50, Jane passou a criticar duramente o modelo de cidade moderna e funcional, pelo seu determinismo utópico e ignorância da imensa complexidade cultural, política, social e física das cidades. A partir dessa análise Jacobs propõe um resgate do espaço urbano através de defesa da rua tradicional, da diversidade funcional (áreas de uso misto), do conceito de Distrito (Bairro), as quadras curtas em contraposição às superquadras modernas, a concentração de pessoas com propósitos distintos, densidade, necessidade de “Confiança” e “Segurança” no espaço público e crítica aos espaços “inseguros” como os grandes parques considerando-os incapazes de promover o convívio social.
Já o arquiteto italiano Aldo Rossi, autor do livro Arquitetura da cidade (1966), defende o poder da memória e da “tradição” na conformação da cidade, entendendo-a como bem histórico e cultural. Essa análise de Rossi, aliás, parte da premissa de que a cidade é conformada pelas arquiteturas ao mesmo tempo em que conforma as mesmas, estabelecendo uma relação complexa entre esses dois “sistemas” e reafirmando sua interdependência. Rossi, interpreta a cidade por critérios múltiplos influenciados pela Psicologia, sociologia, filosofia, geografia e história. Sua crítica ao “funcionalismo ingênuo” é justificada por sua teoria da permanência da forma, ou seja, na crença de que os valores formais estão carregados de símbolos que trazemos em nosso inconsciente e que estes não podem ser ignorados.
Robert Venturi, autor de Complexidade e Contradição em Arquitetura (1966) concentra-se na critica às arquiteturas sem sentido ou valor projetadas pelos seguidores do Movimento Moderno. Também propõe um retorno ao passado e à história, por entender o valor desses elementos na produção arquitetônica e reage de forma crítica à arquitetura moderna, que procura mudar o ambiente e conseqüentemente os usuários ao invés de tentar interpretá-los, de forma determinista, ignorando assim toda a nossa complexidade e contradição como seres humanos. Em contraposição a uma arquitetura moderna que se auto-referenciava, Venturi buscava uma arquitetura que transmitisse valores. Daí seu entendimento da fachada como elemento autônomo. Para Venturi “A forma expressa sua função”.

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