Es.pa.ço s. m. 1. Fís. Extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que
contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos.
I.ma.gi.ná.rio adj. 1. Que só existe na imaginação. 2. Que não é real. 3. Ilusório. S. m. Escultor de imagens.



domingo, 29 de junho de 2008

Leiam!

Há anos tento convencer os amigos mais próximos da importância da leitura para o desenvolvimento do intelecto (lição que eu aprendi com meu pai, leitor, escritor, dramaturgo e poeta). Mas nem todos confiam em mim... Aos amigos estudantes que ainda não se convenceram, ouçam o que disse Oscar (o Niemeyer):
"Sem a leitura o jovem sai dos cursos superiores desprovido do conhecimento da vida, deste mundo difícil que vai encontrar pela frente"
Niemeyer fala que a leitura foi importante em sua vida, dando "um sentido mais amplo, mais modesto, diante deste universo que nos encanta e humilha".
Por isso, pessoal, leiam! Sigam o exemplo de Niemeyer! Não dói, e é um ótimo passatempo.
Ah, só por curiosidade, vejam só o que ele dizia quando era zoado pelos amigos por ler Simenon (para quem não sabe, Simenon foi um grande escritor francês de romances policiais):
"Acho que li todos de Simenon. Os amigos se espantavam, argumentando que neles nada havia de conteúdo importante. Lembro-me da ocasião em que os fulminei, dizendo que em suas 'Cartas ao Castor' Sartre confessava que em um dia havia lido três romances de Simenon".
P.S: Vou começar a ler Simenon também! Se Sartre falou (e Oscar ratificou), tá falado!

sábado, 28 de junho de 2008

intervenção urbana em JF

O trabalho final da disciplina História da Arquitetura e Urbanismo IV foi a elaboração de uma proposta de intervenção urbana na região central de Juiz de Fora. O detalhe é que a proposta deveria ser feita com base no ideário do urbanismo modernista. Ou seja, era necessário olhar Juiz de Fora e propor uma intervenção com os olhos e a cabeça de Corbu...
Daí eu, Dani e Messias resolvemos aloprar geral. Se era pra ser modernista, a gente resolveu extrapolar... Não sei se foi por isso, mas a gente fechou o trabalho!


Segue-se o texto do trabalho e os croquis explicativos:


"Devido à necessidade de reconstrução promovida pela guerra, o urbanismo ganha força dentro do modernismo. O principal teórico do urbanismo moderno foi Le Corbusier, que foi também o principal defensor da arquitetura moderna em termos de teoria. Seus projetos urbanos, como Ville Contemporaine, o Plan Voisin e a Ville Radieuse tornaram-se canônicos no modernismo.
Assim como na arquitetura também no urbanismo a racionalização tem papel fundamental. Isso se reflete no rígido zoneamento das cidades ditas modernas, em que esta se divide em setores principais, de acordo com as principais atividades do homem: trabalhar, habitar, recrear e, ligando todas estas, circular.
Outras premissas do urbanismo são a idéia de eliminar o excesso populacional das cidades aumentando sua densidade, através da construção de edifícios altos, erguidos do chão para aumentar os espaços livres públicos, tendo em vista também a importância da circulação para o urbanismo moderno.
Nossa proposta para a reforma urbana em Juiz de Fora leva em consideração as premissas modernistas anteriormente citadas. Através da análise do mapa de Juiz de Fora pudemos identificar algumas das principais artérias de escoamento do tráfego na cidade: a avenida Rio Branco, a Rua Halfeld, a Avenida Independência, a Rua Olegário Maciel e a Getúlio Vargas.

A partir dessa análise nossa proposta foi a criação de edifícios viadutos paralelos a estas ruas. Assim, teríamos dois níveis de cada uma delas: a rua original e a rua elevada sobre o edifício viaduto, como mostra o desenho a seguir.
Os edifícios seriam recuados para permitir uma perspectiva mais ampla, criando um grande espaço público de circulação. Além disso, o térreo sobre pilotis seria liberado como espaço de convivência e circulação coberta. O espaço entre os edifícios seria preenchido com áreas verdes públicas.




Além disso propusemos uma setorização, dividindo-se a área central em lazer, administrativo, comercial e residencial. A região em torno do parque Halfeld seria ocupada com edifícios administrativos. O calçadão seria mantido, mas com área maior e circundado de edifícios comerciais. A parte alta da Rio Branco, a Independência, a Olegário Maciel seriam ocupadas com edifícios residenciais. A região norte seria destinada ao lazer. A divisão da cidade em diferentes setores é mostrada no mapa a seguir.


(em roxo, área comercial, o vermelho é a área administrativa e o laranja área residencial)

E esse é o croqui do Messias mostrando o resultado final: edifício viaduto +praça pública...

(os croquis anteriores eram meus... já tinham visto croqui abstrato antes? hehehehe)
Enfim, esse foi o nosso trabalho, com uma proposta radical baseada no princípio Osama: joga tudo no chão e faz de novo... No fim das contas, apesar de todo o sufoco, a disciplina História IV foi bem proveitosa! Valeu professora Pati!

Rothko... mais uma vez


A pedido do Professor Fernando Lara (blog Parede de meia), aí está uma tela de Rothko... Não sei o nome, mas é uma de suas primeiras obras dentro do expressionismo abstrato, e uma das minhas preferidas.

sábado, 21 de junho de 2008

Rothko... de novo

Antes de se tornar um dos ícones do expressionismo abstrato, um dos movimentos mais importantes da arte moderna, Mark Rothko passou por uma infância conturbada. Nascido na Rússia, sua família emigrou para os Estados Unidos para fugir à perseguição contra os judeus. Rothko era um garoto muito inteligente e estudioso. Conseguiu uma bolsa de estudos para uma das mais respeitáveis universidades dos EUA, mas acabou por desistir do curso de direito. Ademais, ele era uma alma criativa, um artista por vocação.
Seus primeiros ensaios em pintura foram fortemente influenciados pelo expressionismo alemão. Na série de pinturas The Subway Rothko dá seus primeiros passos em direção aquele que se tornaria seu principal objetivo, sua obsessão: transportar para a pintura o sentimento profundo em relação à tragédia humana. Nessa época, porém, Rothko não passava de mais um pintor para a crítica.
Vinte anos de angústia e incerteza separam essa fase do auge de sua criação, já dentro do expressionismo abstrato, do qual Rothko se torna um dos principais representantes. Convidado a pintar uma série de quadros para decorar o restaurante Four Seasons, no famoso arranha-céu de vidro de Mies van der Rohe, o Seagram Building, Rothko realiza suas obras mais marcantes. Claro, o processo de criação dessas obras foi lento e doloroso para o pintor. Desde que iniciara suas experiências dentro do expressionismo abstrato, Rothko sempre buscou expressar em suas telas um lirismo que as aproximasse da humanidade. Para tanto, Rothko inspirou-se, entre outros mestres, em Michelangelo, gênio da Renascença, um dos pintores que mais se aproximara do sentimentalismo trágico que ele buscava alcançar. A questão é que não era possível pintar como Michelangelo: 500 anos de história da arte separavam os dois artistas. Nesse meio-tempo muita coisa havia acontecido, desde o Barroco até os ready-made de Duchamp, passando por Van Gogh e por Picasso. Quando Rothko consegue resolver esse dilema, o resultado é impressionante: suas obras, mais do que as de seus companheiros, servem como um balde de água fria naqueles que acusavam a arte americana de superficialidade. Superficialidade? Com Rothko? Impossível. Embora ele próprio negasse as aspirações místicas de sua pintura, é inegável que a interpretação de Rothko do expressionismo abstrato tem algo de religioso, de transcendental, de metafísico, como se ele tentasse alcançar uma grandeza só atingida pelos grandes mestres de cada religião, uma espécie de Nirvana pessoal, através da arte.
Desde suas experimentações expressionistas até a sua última fase, marcada pela melancolia exasperada e pela extrema angústia, Rothko sempre tentou alcançar o homem em essência, como se tentasse falar ao nosso eu interior, uma dimensão tão profunda do ser que nem mesmo nós conseguimos alcançá-la. O sentimentalismo de Rothko é antes de tudo uma tentativa de libertar o homem da trivialidade da vida diária. Sua obra tenta conscientizar-nos de nossa tragédia pessoal, de nossa miséria coletiva, nos aproximando da eternidade. Não é uma arte que busca uma fuga, mas sim uma afirmação de nossa essência eterna frente à fugacidade da existência cotidiana.

Guggenheim luso-brasileiro

Na capa da revista aU desse mês, o extraordinário Siza Vieira com o projeto da nova sede da Fundação Iberê Camargo, inaugurada no final do mês passado em Porto Alegre. Siza surpreende com o uso inteligente de volumes curvos e ortogonais, criando uma verdadeira escultura. Um elemento importante são as rampas, uma referência clara ao museu mais emblemático do modernismo... Sim, o Iberê Camargo é nosso “Guggenheim tupiniquim”!


Ah, nessa mesma matéria, destaque para o texto de Edson da Cunha Mahfuz!

Polêmica no projeto de Portzamparc

O projeto da Cidade da Música Roberto Marinho ainda nem saiu do papel e já está causando polêmica. No dia 3 de março foi instaurada uma CPI na câmara de vereadores do Rio de Janeiro para investigar irregularidades envolvendo o projeto. Algumas das denúncias dizem respeito ao elevado custo da obra (estimada em cerca de 170 milhões de dólares), e sobre a ausência de licitações no processo de contratação das empresas de Portzamparc que se encarregarão do projeto e da obra. Ainda não foram encontradas irregularidades, mas os membros da CPI, presidida pelo vereador Carlo Caiado, ainda querem explicações sobre as denúncias feitas. Chistian de Portzamparc tem acompanhado tanto o andamento do projeto quanto dos debates políticos envolvendo sua “legitimidade”. E aí? Será que as denúncias têm embasamento ou isso é uma tradição (ou Karma) do Brasil, em que todas as coisas acabam em CPI e todas as CPIs em pizza? Resta esperar o relatório final para saber se o projeto sai ou não sai. A propósito, segundo o vereador Roberto Monteiro, as empresas que Portzamparc criou no Brasil, contratadas sem licitação pela prefeitura carioca, ainda podem sofrer investigação criminal...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Arquitetura em Revista

O pessoal da nossa sala conhece o projeto do Henrique, o Architecture Chanel, um canal com programação especial voltada para a arquitetura, com o objetivo de divulgar nossa atividade entre a população como um todo... Ok, sem as pretensões tão grandiosas do Henrique, estive pensando em como o curso de arquitetura do CES precisa de um veículo de divulgação. Certo, o pessoal da comunicação tentou fazer um jornalzinho voltado para todos os cursos do CES, mas a idéia não vingou. Será que uma publicação mais direcionada agradaria aos estudantes de arquitetura? Falando sério, seria legal ter um veículo de comunicação para divulgar a produção do CES, como participações em concursos, projetos de pesquisa, e até mesmo os PAs premiados de cada semestre... Talvez fosse uma boa: com isso o curso de arquitetura ganharia "visibilidade", e, de certa forma, essa idéia daria continuidade à iniciativa da Professora Bianca com o blog Lugar Invisível.
Ok, por enquanto talvez seja uma idéia muito louca, mas, se acontecer... Será que a galera vai aderir?

sábado, 14 de junho de 2008

Mensagens subliminares?

Passeando na Internet há alguns dias encontrei um site sobre algumas das novidades da aquitetura (http://www.noticiasarquitectura.info/default.asp) Em meio a uma centena de projetos de arquitetos dos mais diversos cantos do mundo, encontrei dois projetos que tem elementos formais e técnicos que eu pensei para o meu PA: o prédio de apartamentos AR58 de Derek Dellekamp e conjunto de apartamentos do escritório Bevk & Perovik. Ou seja, eu fui influenciada sem saber! De Dellekamp a referência é a composição assimétrica de blocos justapostos alternadamente, criando uma volumetria de "cheios e vazios". Já de Bevk e Perovik, o uso de uma membrana externa composta por painéis tipo "persianas", que fazem o fechamento dos elementos de vidro e permitem que o usuário defina privacidade, luz e sombra...

Memética? Pode ser...

detalhe do projeto de Bevk & Perovik

AR58, de Derek Dellekamp

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Reta final... mesmo!

Estou desistindo da vida, mas antes disso, juro que termino meu PA... Agora só faltam 10 dias!
(Aleluia!.... ou naum?)
Ah, pelo menos uma matéria a menos pra me preocupar: média 70 em Sistemas Estruturais! ufa! Essa foi por pouco!

sábado, 7 de junho de 2008

A mais nova de Nouvel


Jean Nouvel, ganhador do Pritzker 2008, venceu no mês passado o concurso para a construção de um novo arranha-céu no bairro parisiense La Defense. A Torre Signal terá 301 metros de altura e será concluída em 2013.

Um dos arquitetos que concorreram com Nouvel foi ninguém mais ninguém menos que Sir Norman Foster! Além do britânico Nouvel também deixou pra trás o americano Daniel Libeskind e os compatriotas Jean-Michel Wilmotte (autor do Memorial Portas da Paz, em Hiroshima e do Memorial Muro da Paz, em Paris) e Jacques Ferrier. A torre retangular branca de 140 mil metros quadrados terá escritórios, apartamentos, hotéis, lojas, restaurantes e equipamentos públicos. O custo do projeto é estimado em 600 milhões de euros e, segundo alguns, a Torre Signal vai concorrer em popularidade com a famosíssima Torre Eiffel. Patrick Devedjian, dirigente do órgão público encarregado de dar uma nova atmosfera ao bairro La Defense disse que a maquete de Nouvel é "irretocável em termos de técnica e desenvolvimento sustentável".

Vejam só algumas imagens da Torre. Mais um ponto pra Nouvel?

Jean Nouvel e a maquete da torre.



Perspectiva que mostra a Torre Signal implantada na cidade de Paris. A torre é o primeiro de vários projetos de arranha-céus que serão construídos no bairro La Defense nos próximos anos.


fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/afp/2008/05/27/ult32u19268.jhtm

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Contagem Regressiva! Projeto de Arquitetura e Urbanismo V

Faltam exatos 18 dias para a entrega de PA!
Será que isso é bom ou ruim?

Rothko

Hoje na aula de História da Arte assistimos a um vídeo sobre o pintor expressionista abstrato Mark Rothko. Até assistir esse vídeo Pollock era disparado o pintor que eu mais admirava nesse movimento, por causa de um artigo que li uma vez sobre suas obras. Depois de conhecer melhor a vida e a obra de Rothko seus quadros se tornaram muito mais interessantes pra mim (não que eu não achasse interessante antes, mas eu não compreendia direito). Agora penso que Rothko talvez tenha sido o mais humano dos pintores modernos, pela sua tentativa constante e quase obsessiva de transportar para suas telas o sentimento, expressão máxima da condição humana. Confiram alguns dos quadros. E se tiverem a oportunidade de assistir ao vídeo, assistam. Vale muito a pena. (Aliás, eu não sei bem qual o título do filme: me parece que é parte de uma série de programas da BBC, mas eu vou procurar descobrir e posto aqui logo que eu puder)


Não é dramático e intenso? É quase perturbador, mas eu adoro.


Esse é ótimo. Bonito, mas extremamente triste. Parece um lugar completamente isolado e silencioso (quem sabe no espaço sideral?).

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Mais sobre arquitetura do Espetáculo...

No meu texto sobre arquitetura do espetáculo faltou mencionar a arquitetura dos Emirados Árabes. Mais uma vez, observem as características principais: arquitetura monumental, cara e rentabilíssima. E os sheiks do petróleo estão mandando ver nas encomendas: cada vez mais surgem empreendimentos desse tipo nos Emirados. Excelente oportunidade de emprego, não?



Prédio nos Emirados Árabes, que lembra MUITO um ipod: depois de terem feito uma ilha e uma pista de ski artificial, podemos esperar qualquer coisa dos sheiks do petróleo.

Hotel em Dubai: Custou caro, mas pelo menos tem qualidade estética e técnica.

Comentem aí, galera!

Mostra de Museus Futuristas em Berlim

"Passeando" pela Internet encontrei uma matéria muito legal sobre uma Mostra de Arquitetura em Berlim, que destaca vários projetos de museus futuristas. Eis que lá estava o sempre desafiador Frank Gerhy e suas ondulações delirantes. Embora a exposição tenha acabado no mês passado, vale a pena dar uma olhada, os projetos são bem interessantes. Pena que na matéria não consta o nome dos arquitetos.

Museu na cidade austríaca de Graz, de Peter Cook e Colin Fournier.

Museu de Arte Contemporânea de Denver, projeto de Daniel Libeskind.



Esse é o projeto de Gerhy para uma galeria de arte em Washington.


Confiram a matéria na íntegra: http://georgezix.multiply.com/reviews/item/26

domingo, 1 de junho de 2008

Arquitetura do Espetáculo

A Arquitetura não se resume à atividade projetual, mas se estende à leitura e à escrita, certo? E tem coisa melhor do que escrever sobre arquitetura? Esse é o último dos meus textos, sobre arquitetura do espetáculo. Ainda em fase de construção, portanto se alguém tiver alguma informação que possa acrescentar algo, fique à vontade para comentar!

ARQUITETURA DO ESPETÁCULO OU ESPETÁCULO DA ARQUITETURA? OS DESAFIOS DA CONTEMPORANEIDADE

Cada vez mais somos bombardeados por todos os tipos de imagens, pulsantes e delirantes, na televisão, nos computadores, nos outdoors das cidades: a informação circula com uma rapidez nunca antes vista, e pressiona nossas retinas o tempo todo. Em todas as áreas da vida humana somos induzidos por imagens diversas: a moda imprime constantemente e imagem da elegância; a beleza nos oferece a imagem da perfeição; a mídia, de modo geral, está sempre vendendo imagens de prestígio, de poder, de progresso.
Não era de se admirar que o culto à imagem alcançasse também o campo da arquitetura. De uma hora para outra temos sido assomados por imagens diversas de inovações técnicas, possibilidades construtivas, ícones do espírito ousado da arquitetura contemporânea. Do Guggenheim de Bilbao para cá a mídia, especializada ou não, se apropriou da arquitetura como um objeto de exibicionismo. Em uma sociedade onde o marketing tem importância capital, onde uma idéia só vale se puder ser vendida por um bom preço, a arquitetura torna-se ainda mais imagética. Mais do que nunca os objetos arquitetônicos ganham a função de vender uma idéia, seja ela de progresso econômico, cultural ou tecnológico. Criou-se até mesmo um termo para designar esse tipo de empreendimento: Arquitetura do Espetáculo. Caracterizadas pela monumentalidade, pelas formas arrojadas e pelas inovações técnicas, tais obras tem proliferado entre os países desenvolvidos, e tem se tornado características na arquitetura, especialmente na Europa, Ásia e América do Norte. Que o digam o americano Fank Gerhy e o espanhol Santiago Calatrava, cujos projetos são excelentes exemplos dessa arquitetura colossal, bilionária e altamente rentável.
Que o leitor não me entenda mal. Não estou tentando estigmatizar Gerhy ou Calatrava: não me cabe dizer o que é certo e errado. Na verdade tal função seria uma tarefa inglória, uma vez que não existe certo e errado em arquitetura. O questionamento que estou propondo, sem a pretensão de chegar a uma conclusão definitiva, é a respeito da função principal da arquitetura na contemporaneidade. Será que a arquitetura espetacular tem diminuído o espetáculo da arquitetura? Afinal de contas, se me permitem citar o teórico italiano Bruno Zevi, o protagonista da arquitetura é o espaço: sem ele, tal atividade anula-se. É possível que o aumento do prestígio da imagem na arquitetura contemporânea tenha reduzido a importância da espacialidade no processo de criação projetual? A profusão da arquitetura do espetáculo tem definido a imagem do século XXI, ou é o novo século que tem exigido essa nova arquitetura? Ela é causadora ou vítima da profusão de caminhos que se nos apresentam na contemporaneidade?
Gerhy é de longe o maior expoente da arquitetura do espetáculo, e talvez o mais amado e odiado. Conhecido por sua notável inovação formal, cristalizada no museu Guggenheim de Bilbao, Gerhy se tornou um dos arquitetos mais celebrados da atualidade. Mas seus críticos são ferrenhos: embora plasticamente chocantes e tecnicamente instigantes, os projetos de Gerhy teriam, segundo estes, uma baixa qualidade espacial. A mesma crítica é feita ao arquiteto e engenheiro Santiago Calatrava, autor de projetos como a Cidade das Artes e da Ciência, em Valência, e o Edifício Turning Torso, inspirado na imagem de um torso humano em movimento. Um dos críticos de Gerhy e Calatrava é o arquiteto brasileiro Márcio Kogan que, em entrevista a uma revista especializada, reclama do “espaço pobre” nas obras desses arquitetos. No caso específico do Guggenheim de Bilbao, ainda há a questão do custo elevado da obra, a dificuldade de manutenção, o caráter experimental de algumas soluções técnicas, e o fato de que as inovações de Frank Gerhy são apenas estéticas, pois o museu, funcionalmente, é semelhante a outros museus do mundo.
A despeito das críticas, é preciso analisar também que tais obras sensacionalistas geralmente são financiadas pelo governo ou por grandes instituições privadas, e normalmente estão associadas a propostas de revitalização e requalificação urbana. Os críticos de Gerhy não podem ignorar, por exemplo, que o Guggenheim de Bilbao conseguiu requalificar uma área degradada da maior cidade basca: o turismo em torno do museu reacendeu a economia da região e projetou a cidade de Bilbao a nível internacional. É claro que um objeto de grande porte como um museu da franquia Guggenheim seria suficiente por si só para revitalizar a área, mesmo sem as ondulações delirantes de Gerhy. Mas é inegável que nesse caso a plástica ajudou. O investimento feito para a implantação, cerca de 650 milhões de euros, foi recuperado em menos de uma década e a pobre cidade do país basco hoje movimenta milhões de dólares, entre serviços de hotelaria, transportes e entretenimento. E tudo começou com um grande elemento escultórico que, por acaso, também é um museu.
Críticas e defesas à parte, é preciso analisar a recorrência desses fatores na arquitetura. O Guggenheim de Bilbao foi o primeiro de uma série de arquiteturas do espetáculo concebidas por Frank Gerhy. O que nos faz pensar se essa tendência é geral ou um mero modismo. E não é só entre os países desenvolvidos que se observa esse fenômeno. Afinal, não faz muito tempo houve várias reuniões e acordos a respeito da possibilidade de implantar-se um Guggenheim no Rio de Janeiro. O objeto proposto, da autoria do laureado Jean Nouvel, tinha todas as características da arquitetura do espetáculo: arrojada, tecnicamente inovadora e extremamente cara. Será que chegaremos ao estado supremo em que a arquitetura passará a reduzir-se a uma competição não apenas entre governos ou empresas, mas entre os próprios arquitetos para ver quem constrói o prédio mais sensacional, ao menos esteticamente?
Admirável ou questionável, a arquitetura do espetáculo está aí. Amada e odiada, tem suscitado debates em todo o mundo. É impossível chegar a uma conclusão sobre o assunto. Em todo caso, a crescente valorização da imagem na arquitetura é um fato que não pode ser ignorado. Se a arquitetura do espetáculo vai permanecer como tendência, que ao menos ela não diminua o prestígio do espetáculo da arquitetura: afinal de contas, essa imagem seria no mínimo assustadora.


Ah, e que fique bem claro: não tenho absolutamente nada contra Gerhy ou Calatrava (na verdade, eu adoro Calatrava). Mas o tema estava aí e, bem, sempre é preciso discutir esse tipo de assunto, certo? Afinal, como disse Nélson Rodrigues, "toda unamidade é burra".

Do espaço e da arquitetura

"O espaço é o protagonista da arquitetura"

Logo que entrei para o primeiro período de Arquitetura e Urbanismo, fui obrigada a ler "Saber ver a Arquitetura", de Bruno Zevi. Digo obrigada porque naquela época eu não entendia bulhufas sobre arquitetura, quiçá sobre urbanismo. Na verdade, tudo o que eu sabia sobre arquitetura era que desenhava-se bastante, e que Oscar Niemeyer era arquiteto. De resto, absolutamente nada.
Por isso talvez tenha sido tão importante ler Bruno Zevi e, um pouco depois, Louis Khan (Forma y Diseño). Foi o meu primeiro contato real com a arquitetura, em termos de teoria. E foi fundamental para que eu passasse a compreender melhor o espaço, que, como Bruno Zevi disse, é o protagonista da Arquitetura.
Claro, seria mentira dizer que esse primeiro contato foi sufuciente para que eu passasse a compreender verdadeiramente a essência da arquitetura: isso é algo que você vai descobrindo a medida em que estuda e vivencia a arquitetura. Mas como primeira lição foi fundamental. O mesmo pode ser dito de Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, que marcou meu primeiro contato com a cidade.

Por isso cá estou eu, criando esse blog para falar sobre arquitetura. Sobre espaço, sobre cidades, sobre sociedade e até mesmo sobre futilidades. Afinal, como disse um grande autor, cujo nome não me lembro agora, "o que salva a gente mesmo é a futilidade".